quarta-feira, 30 de junho de 2010
Ainda Caminha...
quinta-feira, 24 de junho de 2010
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Estrelas no céu


Não há estrelas no céu, Rui Veloso
- Se calhar as estrelas só estão iluminadas para que, um dia, cada um de nós possa encontrar
a sua. Olha para o meu planeta. Está mesmo aqui por cima... Mas está tão longe!...
- Onde estão os homens? – acabou finalmente por perguntar o Principezinho. No deserto
está-se um bocado sozinho...
- Também se está sozinho ao pé dos homens – disse a serpente.
- As estrelas são bonitas por causa de uma flor que não se vê...
- Pois não...
- O que é importante não se vê...
- É como com a flor. Quando se ama uma flor que está plantada numa estrela, é bom olhar
para o céu, à noite. É que todas as estrelas ficam floridas...
(Um dia vamos ver as estrelas e, certamente, faltará uma no céu. Vou sentir o seu brilho a ofuscar mesmo ali ao lado)
Comboios a vapor


Ia sentir o vento na cara, enquanto este me embalava os caracóis, e desaparecer por instantes no vapor que o movia. Naqueles segundos, seria de ninguém e de nenhuma parte e o abraço do vapor bastar-me-ia para me sentir pessoa.
Porém, já não existem comboios a vapor a circular regularmente. A primeira viagem foi feita a 21 de Fevereiro de 1804 e no final de 1990 somente nas áreas montanhosas o vapor era preferido ao diesel.
Podemos pensar na poluição, na velocidade, no progresso, etc., etc., todavia, hoje não me apetece pensar, apetecia-me sentir o vapor no cabelo e esquecer, por momentos, que a vida é penosamente consciente e com escolhas a cada esquina. Hoje apetecia-me que ainda existissem comboios a vapor nos nossos dias.
(acho que ando a ler Fernando Pessoa a mais...)
sábado, 12 de junho de 2010
A palavra obrigado
A oração tinha sido preparada pela Inês Viterbo e por mais duas pessoas que, peço desculpa, não recordo quem era. Se me lembro da Inês, é porque o que ela disse me marcou para sempre e é sobre isso mesmo que hoje dedico o meu post.
Já caminhávamos desde dia 21 de Fevereiro. Ainda consigo (re)sentir na pele o cansaço. Físico sim, que o meu joelho não perdoou o esforço, mas, principalmente, cansada de uma carga interior demasiado pesada para mim. Eu ainda não tinha aprendido a lição da mochila interior, Juca, só a da exterior.
Sentada no chão, encostada à Maria, ouvi das palavras com mais significado para mim. A oração em si era belíssima. A terceira antífona era "O essencial é invisível aos olhos" e uma das orações o excerto de "O Principezinho" no qual Saint-Exupéry fala dela. Quando acabamos de a ler, a Inês falou.
Falou, essencialmente, sobre o significado da palavra Obrigado. Não cito pois a minha memória não dá para tanto, mas tentarei aproximar ao máximo as minhas palavras às da Inês. Não me lembro se isto tinha fundamento literário, ou se foi algo que saiu da própria Inês: A palavra Obrigado pressupõe um compromisso entre a pessoa que a diz e aquela a quem a dirige. A partir do momento em que dizemos um obrigado sincero a alguém estabelecemos uma ligação eterna com essa pessoa. Existe algo tão profundo que nos uniu ou une que nos fez sentir a necessidade de agradecer.
Cantamos "O Essencial", "Obrigado", "Agradece a Deus". Lembro-me de cada abraço, de cada "obrigado" e, principalmente, das palavras da Inês.
Hoje, em conversa com o João, relembrei este momento. Expliquei-lhe o porquê da importância da palavra para mim e que basta só isso para me iluminar o caminho (para Santiago e para todos os outros destinos) durante toda uma vida. Além de tudo, para quem já fez o Caminho, sabe que nada se compara a um "obrigado" sussurrado na praça d' Obradoiro.
A conversa impunha-se pela altura em que nos encontramos, pela necessidade quase palpável de agradecer às pessoas de quem nos temos de despedir e deixar de ver no nosso dia-a-dia. Porém, impunha-se também relembrar que não se deve gastar uma palavra assim. Por isso, estejam atentos a tudo: aos gestos, aos olhares, às outras palavras. Podem ter um obrigado enorme por detrás delas. Ou, então, encontrarei o momento certo para vos entoar esta magia, este vento quente que nos acalma.
terça-feira, 25 de maio de 2010
Ainda 17 anos
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Como o tempo (não) passa
Fica "rouca" de tanto falar. Activa, participativa e gosta de "mandar" em tudo. Uma "maria-rapaz". Adora estar no grupo dos vencedores. Gosta de dar opinião sobre tudo o que a rodeia. "
Sinceramente, fiquei de boca aberta ao ler este texto. É incrível como é que os traços base de uma pessoa se mantêm desde os seus seis anos até aos dezoito.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Carpe Diem
terça-feira, 27 de abril de 2010

terça-feira, 13 de abril de 2010
Hoje foi um dia (in)tenso, que me fez ainda mais pensar na condição humana. Desde que reli o Um Homem Não Chora que me surge cada vez com mais frequência a imagem de um palco em que todos os nós somos personagens, seguindo guiões que não escrevemos e, tantas vezes, não aceitamos. Presos num jogo que nenhum de nós se lembra de ter inventado, mas que todos jogamos.
Não é idiota? Eu acho.
É preciso manter as aparências, repete a Fernanda ao longo da narração de Um Homem Não Chora. Manter as aparências... aceitar mentiras, esboçar sorrisos falsos, abafar a verdade... tudo pelas aparências. É como viver numa bolha. E se ela rebentar? Não está bem, vão apressar-se a dizer.
Escrito parece um nonsense. Todavia, passa-me constantemente pelo pensamento e faz-me ter como reflexo uma marioneta.
O mundo é dos que sabem jogar, idiota, não dos adolescentes nem dos puros… Entra no jogo do dia-a-dia, palerma. Sempre terás a consolação de pensar que tu, pelo menos, tens consciência de que se trata dum jogo.
segunda-feira, 22 de março de 2010
A little box
Desenho a minha caixa na minha cabeça. Faço-a pequena e simples, como melhor me parece.
Lá dentro, ponho todo o meu amor. Todo. Aquele que vale a pena e aquele que dizem que não vale nada. “Amor é amor”.
Fica preso numa pequena e simples caixinha. Cá fora, fica o amor que já depositei no coração daqueles que significam mais do que o Mundo para mim, o amor que lhe dei nas palavras e nos gestos. Fica o amor do dia-a-dia, o que se dá em sorrisos fugazes.
Lá dentro, fica o meu maior amor, na melhor caixa que a minha imaginação conseguiu criar. Um dia, vou dar aquela caixa a alguém. Um dia, vou ter a certeza sobre a pessoa que merece tê-la consigo. Um dia, eu sei, um dia.
Até lá, alimento(-me) (d)esse amor que anda pelos meus dias.
terça-feira, 16 de março de 2010

Sempre que puderes, pára. Nem que seja por um minuto, abranda o passo. Pára onde estiveres e olha à tua volta com olhos de ver.
Pode ser que encontres alguma coisa surpreendente.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Voar

O Homem sabe voar, mas foi-se esquecendo de como se fazia. O Homem nasce a saber voar, apesar de não nascer com muitas outras capacidades. Essas, como andar ou falar, vai aprendendo ao longo do seu crescimento. A única que desaprende é a de voar.
Vivemos presos, por nós e pelos outros. Construímos uma sociedade embrenhada em normas e comportamentos institucionalizados. Preocupada em evitar as situações que "ficam mal", sufocando vontades e sonhos a troco de aceitação. Para que?
Já não sabemos voar. Confundimos regras com grades. Não sabemos, tantas vezes, dosear bom comportamento com uma pitada de irreverência.
E assim por cá andamos, atando os braços aos pássaros, como se o voo fosse algo que se pudesse dar. O peso que o Homem carrega já é demasiado para as suas leves asas.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
The shape of my heart

I know that the clubs are weapons of war
I know that diamonds mean money for this art
But that's not the shape of my heart
And if I told you that I loved you
You'd maybe think there's something wrong
I'm not a man of too many faces
The mask I wear is one
Those who speak know nothing
And find out to their cost
Like those who curse their luck in too many places
And those who fear are lost
Ontem ouvi esta música nos Ídolos e não me sai da cabeça desde aí. Fica-me na cabeça a pergunta What is the shape of my heart?
(O que é que eu estou a fazer aqui? Tenho um Pós-Guerra inteiro para rever! Ai, vida de estudante...)
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Sunday Clothes
Toda a gente sabe o que são sunday clothes. E porquê? Porque todos as usamos, às vezes nem Domingo é. Ou quase nunca é Domingo, o que se torna um pouco grave.
Eu uso muito sunday clothes ou, em bom português, roupas de Domingo. Dão jeito, muito. As roupas de Domingo é tudo o que se mostra ser, e não se é. O parecer sem ser de que tanto falava Eça de Queiroz (mas aposto que no ármario também tinha umas belas sunday clothes).
A minha roupa de Domingo é bonita e arranjada. Tem um sorriso equilibrado e simpático. É à prova de bala e nunca se molha. A minha roupa de Domingo não tem taus sobre o peito, nem no pulso. Faz questão de frisar que não se importa se lhe virarem as costas. É sarcástica e a roçar o mauzinho. A minha roupa de Domingo é profissional. Não gosta que lhe toquem ou se aproximem muito. Não aceita críticas nem observações.
A minha roupa de Domingo é usada e gasta.
Depois existe todo um guarda-roupa variadíssimo, nem todo bonito, nem arranjado e, muitas vezes, por usar. Mas está lá. E às vezes só isso basta.
A minha roupa de Domingo parece, o resto é. Mas não quer dizer que o resto não seja simpático, ou bonito, ou profissional, ou mau, ou sarcástico... ou tudo o que a minha roupa de Domingo é. Só não é tudo ao mesmo tempo. E por isso é que não dá tanto jeito como as sunday clothes.
