segunda-feira, 14 de junho de 2010

Comboios a vapor




Hoje apetecia-me sentar-me num campo perdido do resto do mundo, à beira de uma linha ferroviária, e esperar que passasse um comboio a vapor.
Ia sentir o vento na cara, enquanto este me embalava os caracóis, e desaparecer por instantes no vapor que o movia. Naqueles segundos, seria de ninguém e de nenhuma parte e o abraço do vapor bastar-me-ia para me sentir pessoa.

Porém, já não existem comboios a vapor a circular regularmente. A primeira viagem foi feita a 21 de Fevereiro de 1804 e no final de 1990 somente nas áreas montanhosas o vapor era preferido ao diesel.
Podemos pensar na poluição, na velocidade, no progresso, etc., etc., todavia, hoje não me apetece pensar, apetecia-me sentir o vapor no cabelo e esquecer, por momentos, que a vida é penosamente consciente e com escolhas a cada esquina. Hoje apetecia-me que ainda existissem comboios a vapor nos nossos dias.

(acho que ando a ler Fernando Pessoa a mais...)

1 comentário:

  1. não andas a ler fernando pessoa a mais. eu também gostava que ainda houvessem comboios a vapor nos nossos dias.

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