terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Words are like stones in my heart

Avatar

Fantástico filme, vale mesmo a pena ver. A história tem um enredo cativante, o mundo que vemos desfilar no ecrã é completamente imaginário. Nada tem a ver com nada do que nos rodeia. Deste modo, o filme consegue aquele que foi o primeiro grande propósito do cinema: distrair as pessoas da sua vida e proporcionar-lhes um momento de abstracção.


Outro grande filme que vi recentemente (hoje...) foi o Sherlock Holmes. Relembra constantemente como os detalhes são a chave dos enigmas, além de ter acção, um toque de humor e os incríveis Robert Downey Jr. e Jude Law. Perdi a conta ao número de vezes que o Luís Pedro me ouviu suspirar que o Jude Law era indescritivelmente encantador. Já dia 25 me tinha deliciado a ver "O Amor Não Tira Férias".


Moving on.


Estamos no finzinho de 2009! Ainda pensei fazer hoje uma reflexão sobre o meu ano, mas a minha cabeça deu um nó. Condensa-se numa frase: Parar é morrer.

Vou para Monte Real (Portugal) e só volto dia 2. Levo na mala um tempinho para mim, o "A Era dos Extremos", o reencontro com "Marley e Eu" e o meu querido Ipod Nano, que ainda não tem nome (Nuno, começa já a pensar!). E roupa, claro.

Uma boa passagem de ano para todos. Que jantem bem, com muitos risos e histórias à mistura, seguidos de boa música e uns passinhos de dança. Façam todos aqueles desejos, pensem em todas as coisas que vão mudar em 2010 e, dia 1, acordem para a real e cantem com os U2: Nothing changes on New Year's Day

sábado, 26 de dezembro de 2009

Speak For Me


"Estás muito calada"
"Que queres que diga?"

Estúpida resposta. Lembro-me de a ouvir vezes sem conta e detesta-la. Agora sou eu que a dou.
Realmente, não tenho nada a dizer. Não por achar que o que quero dizer não valha a pena, mas sim por não ter mesmo nada que consiga transmitir.
Não sei que mordaça estou a usar ou quem a pôs. Sei que incomoda.



Speak for me; you'll see the same signs
Do you know how to read between the lines?
(Speak For Me - Cat Power)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

What is this? Nightmare before Christmas


Bom Natal :)

Conversas (não) alheias

Já é relativamente tarde. Voltei há pouco de casa do Tuca e vim tratar da minha quinta. Enquanto a minha boneca agricultora cuida das flores, dei um saltinho ao blog.

Os The Killers cantam, agora, no meu windows media player, It was only a kiss, it was only a kiss, o que me faz lembrar uma conversa que ouvi hoje no metro. Visto estar cheiinho e as raparigas falarem mesmo muito alto não me sinto culpada por ter ouvido (só para terem uma ideia, estava a ouvir música no máximo e ainda as ouvia...). Contava uma ao rapaz que tinham acabado de encontrar no metro:
'E houve uma vez que ela namorava com aquele da equipa x (já não me recordo do nome) e o traíu com o melhor amigo dele *risos*'
' Não, não. Eu acabei com ele antes...!'
'Sim, uma hora antes de ires comer o outro!'
'Pois *risos*'

Ainda tenho aqueles risos presos na cabeça. A displicência é brutal, no real sentido da palavra.

Todavia, os The Killers também cantam I'm coming out of my cage and I've been doing just fine.

That's right :)

A minha irmã chega amanhã!

domingo, 20 de dezembro de 2009

Perspectivas

Se de noite chorares pelo Sol, não verás as estrelas
(Rabindranath Tagore, escritor)

sábado, 19 de dezembro de 2009

(Leiria, pousada da juventude)

O que mais quero nestas férias é simplesmente isto: estar de barriga para o ar, recuperar baterias.

Entretanto, acontecem coisas vergonhosas como esta.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Filtração

Dedico um momento a pensar no curioso labirinto que a nossa memória é. (Re)Lembrei hoje como conseguimos filtrar os momentos, deixar para trás pormenores de experiências dolorosas que assaltaram o nosso passado. "Quem me leva os meus fantasmas?", cantava o Marcelo repetidamente esta semana. A tua memória leva um pouco do seu conteúdo, Marci.
(Re)Apercebi-me que filtrei muita coisa terrível, muita coisa que me magoou muito na altura, física e psicologicamente. As dores físicas, então, são fáceis de arrumar a um canto. (Re)Vejo as dificuldades por que passei e espanto-me por concluir que, provavelmente, os meus pais e a Maria se lembram melhor delas do que eu. Apaguei muita coisa.
Por isso é que hoje tremia como varas verdes no bloco operatório, por só ter conservado da minha primeira e única, até ontem, operação simples cheiros e imagens desconectadas. A minha memória dizia que tudo aquilo era novo, apesar de não ser.
Pus-me, assim, a pensar de como a memória é manipulável e desarma as péssimas vivências, mudando-as para más vivências, e nem é preciso passarem muitos anos. Meros meses chegam para ficar tudo um pouco deturpado.
Se calhar é só comigo, que tenho uma memória desgraçada para as mais variadas coisas.



Hoje, Glósóli (Sigur Rós)


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Don't panic

Don't panic, don't panic, don't panic

don't panic, don't panic, don't panic

don't panic, don't panic, don't panic

(Oh, all that I know
There's nothing here to run from,
'Cos yeah, everybody here's got somebody to lean on)


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Cabeça ao vento

Só para perceberem como a minha cabeça anda mesmo no sítio, vejam o que fiz hoje de manhã:


07:30h: Pi entra no quarto depois de se arranjar. Antes de descer para tomar o pequeno-almoço pensa que não se pode mesmo esquecer das coisas de português que estão pousadas ao lado da pasta

07:50h: Desce para a sala, senta-se no sofá com a Benny depois de pousar as coisas que tinha de levar para a escola no chão. Falta o trabalho para a oficina de leitura e o portefólio de português, mas esta não se apercebe.

08:20h: Já no carro da mãe da Kika, a caminho do CLF, apercebe-se que deixou as coisas de português em casa. "Panica", pois precisa mesmo delas para hoje. Ainda liga à mãe, mas esta não atende

08:30h: Entra no 600 para voltar a casa. Entretanto, perde a aula de Direito.

08:50h: Chega à paragem perto de sua casa. Corre feita doida rua abaixo, mete o pé direito numa poça. Além de acontecer metaforicamente meter o pé na poça, ainda têm de concretizar fisicamente.

09:00h: Sai de casa e apanha boleia com o vizinho Toni, que a deixa na paragem de autocarro, outra vez. Lembra-se que não trouxe dinheiro e tem de pedir emprestado.

09:40h: Chega exausta ao CLF. Vai para a sua sala aquecer os pés.

10:00h: Explica à professora Clara o que se passou. Esta não levanta problemas, nem a mãe, quando lhe liga para saber o que se tinha passado.


Durante o resto do dia ainda me fui esquecendo de coisas pelo caminho e tive de voltar atrás a buscá-las. Eu não sei onde anda a minha cabeça, mas gostava de a ter de volta. Ás vezes dá jeito.
Se calhar é mesmo como os Pearl Jam dizem: Don't you think you oughta rest? Don't you think you oughta lay your head down? Don't you think you want to sleep?

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

As fotografias

As fotografias que costumamos postar em que aparecemos representados costumam ser as que consideramos que ficámos bem, as que nos relembram bons momentos ou aquelas nas quais estamos com pessoas de quem gostamos.
Hoje, para variar, ponho uma fotografia na qual não considero estar bonita e muito menos alegre, além de estar sozinha. Considero-me real, sem sunday clothes.
Hoje, para não variar, precisava de um abanão.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Give me truth

Rather than love, than money, than faith, than fame, than fairness, give me truth

Into The Wild
A verdade esmaga-te. Entra em ti calcando tudo o que preciosamente guardaste: amor, dinheiro, esperança, fé, fama, justiça... O amor nem sempre vem na quantidade que queremos. O dinheiro nunca chega. A esperança cria ilusões maldosamente destruídas pela realidade. A fé às vezes falha. A fama dá-te o superficial. A justiça parece já quase um mito.
Give me truth, give me truth. Pois, mas a verdade é, também ela, tramada.
Está demasiado frio. Dá-me um pouco mais desse calor e deixemos a verdade para outro dia.

sábado, 12 de dezembro de 2009

End Of The Road

Passei só aqui para dizer que hoje o FCE correu relativamente bem e seguiu-se de uma tarde muito agradável.
Conseguimos parar um pouco o tempo, mesmo que ilusoriamente, e observar a agitação constante das compras de Natal e do frenezim próprio do ser humano. Eu gosto muito de ti, Pedro.

O post é breve pois estou a morrer para ir ver o Into The Wild, prenda de Natal antecipada do Pedro. Foi um filme que vi já há algum tempo (um ano?) numa daquelas noites em casa da Maria, em que ela adormeceu a meio e eu continuei a ver, completamente colada ao ecrã.
Antes mesmo de ver o filme, já tinha a banda sonora. Fica aqui uma das minhas favoritas:




Está carregada de Caminho. Lembro-me da relembrar e partilhar enquanto nos dirigiamos ao difícil Monte do Gozo. Que saudades desses momentos.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O meu sistema nervoso II

Há dias em que só me apetece cantar como os Linkin Park:

I tried so hard and got so far
But in the end it doesn't even matter



Mas sou demasiado teimosa para isso...
Além disso, existe sempre algo que nos mostra que it does matter














PS: Parabéns, Professora Eunice! Um beijo e um obrigada :)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O meu sistema nervoso

Tenho andando cansada. Demoro muito tempo a conseguir adormecer, mesmo quando estou de rastos, e nem enquanto durmo consigo ter um sono profundo e descansado. Ainda bem que vêm aí as férias!

Por falar em férias, amanhã tenho o meu último teste deste periódo. História. Acabamos bem acabamos. Eu detesto fazer testes de História. Gosto da disciplina, gosto de estudar e não me importo de fazer exercícios escritos. Mas testes... testes mexem com o meu sistema nervoso.
O Marci hoje é que sofreu com isso, já que não me calei durante a aula de Direito toda com o que sabia e o que não sabia, e o que era mais complicado, e os nomes esquisitos que tinha de decorar... etc etc. Quando quero sou mesmo chata.
Simplesmente é o único teste para o qual nunca me sinto 100% preparada porque ou tenho medo de me esquecer de tudo, ou de confundir matérias, ou de me esquecer das datas, ou de não conseguir integrar bem o documento ou, como acontece sempre, não ter tempo para fazer todas as questões com calma e cabeçinha, ou isto tudo junto. No meio de tanta dúvida, só tenho uma certeza quando entro para o teste: daqui a 100, 105 minutos acaba. Quando quero também sou mesmo stressada.
Entretanto, encontrei um certo papel do meu 10ºano solto entre as micas de uma capa. E diz o seguinte:

-> Documento:

  • Ler
  • Sublinhar ideais principais
  • Retirar a ideia chave de cada parágrafo
  • Ler a pergunta
  • Perceber o seu objectivo
  • Voltar ao documento e ver as ideias precisas

-> Resposta:

  • Localização temporal / espacial
  • Contextualizar
  • Matéria + Documento
  • Conclusão
  • Nota: dizer número do gráfico, ver a legenda

-> Pergunta Desenvolvimento:

  • Ler bem a pergunta
  • Ligar documentos aos tópicos

Portanto, amanhã, caros colegas, não se esqueçam de respeitar estes passos que nos têm seguido desde há dois anos para cá.

E tu, Filipa Redondo, Breathe

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Esfera


Eu vim de outra esfera,
Tão só como escura,
Eu dei-me ao teu dia,
Na espera de uma luz.

Ornatos Violeta

domingo, 6 de dezembro de 2009

Adeus, não afastes os teus olhos dos meus- David Fonseca


Quando dormes
e te esqueces
o que ves
tu quem és
Quando eu voltar
o que vais dizer?
Vou sentar no meu lugar

Adeus
Nao afastes os teus olhos dos meus
isolar para sempre este tempo
é tudo o que tenho para dar

Quando acordas
porque quem chamas tu?
Vou esperar
eu vou ficar
nos teus braços
eu vou conseguir fixar
o teu ar
a tua surpresa

Adeus
Não afastes os teus olhos dos meus
eu vou agarrar este tempo
e nunca mais largar

Adeus
Não afastes os teus braços dos meus
vou ficar para sempre neste tempo
eu vou, vou conseguir para-lo
vou conseguir para-lo

Vou conseguir

Adeus
Não afastes os teus olhos dos meus
vou ficar para sempre neste tempo
eu vou conseguir para-lo
eu vou conseguir guarda-lo
eu vou conseguir ficar

Sem palavras...


sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A loucura


Ouvi-a bater à porta levemente. Sobressaltada, agarrei-me aos lençóis, com o medo a percorrer todo o meu corpo como choques eléctricos.
O bater continuou, semelhante a um roçar do vento nas folhas. Devagar, pé ante pé, como nos filmes de terror, dirigi-me à porta.
Quando a abri, exclamei de imediato:
- Dona Loucura!
Ela sorriu-me, a Loucura. Amavelmente, retorquiu:
- Não me chames Dona, minha querida. Somos velhas conhecidas, esses tratamentos já não são necessários.
Olhei-a confusa. Não me lembrava de ter visto muitas vezes a Loucura, muito menos dela me visitar a horas tão tardias.
Convidei-a a sentar-se. Velhas conhecidas ou não, a boa educação continua a ser precisa.
Dona Loucura, como continuei secretamente a tratá-la, dissertou sobre a longa viagem que fizera, as pessoas que visitara e os países que percorra, sem nunca me revelar o motivo para estar ali, no meu quarto.
Não resisti, tive de perguntar:
- O que faz agora aqui, Loucura?
- Ora, o que faço aqui?! Tu chamaste-me, meu bem!
Eu?! Eu não chamei ninguém. Estava simplesmente deitada na minha cama, ainda há uns minutos atrás, a dar voltas e voltas entre os lençóis sem conseguir adormecer. Mas isso não tinha nada de novo, nem de louco, que eu soubesse.
Dona Loucura olhou-me com ternura e murmurou:
- Lembras-te? Claro que lembras, querida. Quando tentavas arrumar nessa cabecinha todos os teus pensamentos difusos, consideras-te aquela hipótese…
Continuei a fixa-la atentamente.
- Sim, aquela hipótese de ires lá para fora apanhar com o aguaceiro que ainda agora molha a calçada da tua rua. Quando pensaste que te poderias dissolver com as gotas, correr com elas nos ribeiros que se criam entre os passeios e as estradas e ser coisa nenhuma. Ainda consigo sentir o teu árduo desejo de desaparecer entre o manto de água que caí do céu.
Reflecti sobre o que me dizia. Sim, lembrava-me. Ainda há pouco tivera esse pensamento. Sempre gostei de ouvir a chuva a cair lá fora, contra a minha janela e as minhas telhas. Pressentia o frio com que a noite se revestia e sentia-o na pele, apesar do calor que emanava da minha cama. Enrolada em mim mesma, fazia-me noite e, com a chegada da chuva, arrumava malas e ia com ela. Tudo dentro da minha mente.
- Isso é loucura? Isso é ser como você?
- Deixa o você para o lado. Aqui nem há você, nem tu, nem eu. Há nós.
- Sou loucura? Por querer ser chuva, por sentir frio quando está calor? – interpelei, alarmada.
Mais uma vez, perfurou-me com o seu paciente olhar. Que Loucura tão calma era aquela? Talvez a da razão.
- Como queres ser chuva, frio, rio, nada, se tudo o que és é paixão, quente, entrega, existência? Marcas e marcas-te com ferro a ferver. Nunca serás vazio, minha querida.
Levantou-se, lançou-me um sorriso (esse, sim, puramente louco) e saiu, fechando a porta atrás de si.
A loucura é tramada.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Proibido!


No Domingo passado, entreti-me a ler o livro "Proibido!", de António Costa Santos. Foi um livro mostrado em aula pelo prof. Zé António que contem uma lista de actos que eram proibidos durante o Estado Novo. Desde sacudir o pó a utilizar isqueiro sem licença, podemos encontrar um pouco de tudo neste livro que retrata " um tempo caricato, mas sem graça".


De entre todas as proibições, escolhi a que achei mais caricata e peculiar. Ora leiam:


"Ficou célebre a portaria n.º 69035 da Câmara Municipal de Lisboa, datada de 1953, (...)

Dado verificar-se à época «o aumento dos acto atentatórios à moral e aos bons costumes, que dia a dia se têm vindo a verificar nos logradouros públicos e jardins, e, em especial, nas zonas florestais, Montes Claros, Parque Silva Porto, Mata da Trafaria, Jardim Botânico, Tapada da Ajuda e outros» determinava à polícia e aos guardas florestais «uma parmanente vigilância sobre as pessoas que procurem frondosas vegetações para a prática de actos que atentem contra a moral e os bons costumes»


«1.º - Mã­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­o na mão 2$50
2.º - Mão naquilo 15$00
3.º - Aquilo na mão 30$00
4.º - Aquilo naquilo 50$00
5.º - Aquilo atrás daquilo 100$00
6.º - Parágrafo único - Com a língua naquilo 150$00 de multa, preso e fotografado.»"



Na segunda-feira explicava a um grupo de amigos a explicação para a diferença, a meu ver, da quantia a pagar pela "mão naquilo" e "aquilo na mão". É lógico que os infames que atentam contra a moral e os bons costumes e, ainda por cima, retiram prazer de tal acto paguem mais de quem o dá!

A ironia não implica que seja a favor da "prática de actos que atentem contra a moral e os bons costumes" em praça pública. Obviamente que não sou, para isso é que existem espaços privados. Mas tal não retira o ridículo da lista de multas a aplicar, nem das metáforas recorrentemente utilizadas na Lei, durante o Estado Novo.


Se calhar é importante reflectir quanto ficou deste tempo, quantas proibições não escritas impomos uns aos outros porque 'não fica bem' ser doutra maneira. Este livro também abre espaço a essa reflexão.


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

domingo, 29 de novembro de 2009

Banco Alimentar contra a fome


"Bom dia! Quer/ Deseja contribuir para o Banco Alimentar? Obrigada"


Estou cansada, mas feliz. Há coisas que valem mesmo a pena. Já sentia saudades de ver em tantos rostos a expressão de amor ao próximo.
A minha casa cheira a rabanadas. Hoje foi acessa a lareira pela primeira vez. A árvore já está montada, com as luzes postas. Os efeitos ficam para terça. Os sinais não mentem: Dezembro está mesmo à porta.

sábado, 28 de novembro de 2009

Between waves

(ontem a net não dava, então não tive oportunidade de postar este texto. Fica para hoje, fingindo que ainda é ontem)


Acabei de chegar a casa depois de uma tarde/noite fantástica. Sinto-me cheia, como quando acabamos uma boa refeição e nos sentamos no sofá, completamente satisfeitos. Porém, ao contrário do que acontece quando estamos de barriga cheia, não me sinto relaxada. Sinto-me eléctrica. Tudo o que compõe o meu sorriso viaja a 1000 km/h pela minha pele, saindo directamente do… cérebro. Eu ia dizer coração, mas lembrei-me de Psicologia, o que só por si não é bom sinal, a esta hora.
Tudo começou quando soube que havia picanha no Ábaco. Eu sei, patético. Contudo, o que vocês não sabem é o quanto gosto de picanha, ou quanto gosto de almoçar com o Marcelo e com o Pi, de os encher com a minha torrente de palavras e lançar gargalhas ao ar com as tão típicas respostas do Marci e as expressões do Pi.
Ter comido picanha foi um facto que mudou o rumo do meu dia, que, apesar de ter começado com Sol, se estava a revelar mais cinzento do que era de esperar, sem motivo aparente. Ou melhor, com motivos, no mínimo, idiotas, o que me estava a assustar.
De seguida, mudei a minha perspectiva da sala. Retirei-me do centro e fixei-me na periferia, à frente do meu raio de Sol. Como era de esperar, it was warm there (desculpem o inglês, mas warm era mesmo A palavra). Um dia hás-de me explicar como é que se torna tão fácil estar bem quando estou ao pé de ti.
Este post está a ser feito ao som de David Fonseca, obviamente. Enquanto escrevo, ele canta-me. Sim, canta-me. A principal razão para gostar tanto dele é sentir que o que ele escreve e canta tem parte de mim, apanha pedaços essenciais do que me identifica e descreve sentimentos que eu nunca conseguiria fazer passar cá para fora.
É óbvio que estou a ouvir David Fonseca porque a causa fulcral para o meu estado de espírito foi o seu “show-off” na FNAC do MarShopping, às 18:00. Eu, o Luís, a Renata, a Sófia e o Pi tivemos prazer em assistir juntos a esse breve, mas fantástico, momento. A simpatia dele é contagiante e o talento inquestionável. Quando entoou os primeiros versos, o meu espanto foi claro: é igual aos cd’s! O que se torna cada vez mais surpreendente, acreditem.
Ao concerto seguiu-se 1h de espera numa fila interminável para falar um pouco com este senhor da música portuguesa. Não o tratámos por senhor, porque o Luís perguntou logo se o podia tratar por tu, ao que o David respondeu: deves!
Vou passar à frente aquela parte em que fiquei a conversa toda (que ainda foi de duração considerável) com um sorriso demasiadamente aberto, a roçar o idiota, a beber as palavras do David Fonseca. Dêem-me um desconto, o homem é um dos meus ídolos musicais! O que não passo à frente é a oferta que lhe fizemos: uma lata de comida de gato, para alimentar a Amazing Cats, editora recentemente criada pelo próprio. Bem, não quero parecer presunçosa, mas ele adorou! É inegável que adorou! Aliás, até nos perguntou se podia por no Twitter. Parece-me que vou andar por lá de 5 em 5 minutos (ou não, visto que amanhã não paro em casa… mas só por isso).
Entretanto chegou a Zoé, chegou o jantar, chegou… Lua Nova! Não, não me vou por a falar sobre como o Robert Pattinson e o Taylor Lautner são lindos (apesar de serem) nem como a Bella às vezes é irritantemente monga (apesar de ser). Vou simplesmente dizer que adorei, que foi das melhores adaptações de livros a filmes que já vi e que há cenas que preferia não perceber tão bem. Sim, eu já vi vampiros e lobisomens, é o mais comum que há por aí.
Não costumo fazer do meu blog um diário. Ou, pelo menos, não costumo fazer dele tão directamente um diário. Mas hoje, hoje tinha de falar do que me “encheu”, de como me senti viva, de como tive consciência de cada parte que me constitui e de como, de repente, fui invadida por aquele estado de euforia, eléctrico.
Eléctrico é a palavra de hoje.



quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A beleza

"Se bem que soubesse que a reacção da Linny era perfeitamente desvairada, também sabia que o Teo não era nenhum trambolho. Mas sabia-o do mesmo modo que sei que George Washington foi o primeiro presidente dos Estado Unidos. Não duvidava, mas a beleza é uma coisa que não nos limitamos a conhecer objectivamente, também temos que a sentir (...)"


(O amor não espera à porta, Marisa de Los Santos)
De todas as vezes que já tentei explicar isto, nunca me ocorreu dizer que a beleza tem de se sentir. Mas é perfeito. Abençoado seja quem escreve!

PS: passem pelo DogMe! , fizemos um post do qual gosto muito.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Estado Novo

Hoje, fast-post. Há jogo no Dragão e o meu pai já está numa correria para ir embora.
Amanhã começamos a dar, em História, o Estado Novo. É uma matéria que sempre figurou entre as minhas favoritas de estudar. Pelo interesse, não por identificação, atenção.
Por isso, hoje resolvi postar este vídeo da Inaguração do Estádio Nacional, em 1944



Na banda sonora estão incluídos o hino da mocidade portuguesa e o hino nacional.
E mais não digo. Fica para amanhã
:)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Quase

Hoje, ao almoço, partilhei com alguns dos meus amigos qual era o meu maior medo. A Mónica ficou muito espantada com o que revelei e eu ainda mais com o espanto dela. Terei um medo assim tão peculiar?


Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão ...Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo...e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas nunca mais fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
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Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...


Mário Sá Carneiro

O meu maior medo é, algum dia, sentir este poema como meu e perceber o quanto falhei. Por isso, evito as falhas de todos os dias, de um modo que às vezes me esmaga e retrai. Mas que se há-de fazer? Os medos são assim, irracionais...

sábado, 21 de novembro de 2009

Círculo de fogo

Ontem, eu, o Nuno e o Luís Pedro fomos ver o espectáculo do Círculo de Fogo, a convite da Maria.
“O círculo de fogo é um grupo de alunos que desenvolve actividades com fogo de risco controlado”, segundo a definição que a Mia me deu. Mas, depois do que vi, é uma descrição que fica aquém do real. Tal como qualquer uma que pudesse dar.
Por momentos, tudo parou. Não interessava que estivesse frio, que estivesse sentada no chão do recreio da Soares ou que estivesse rodeada de pessoas tão diferentes de mim. Por momentos, só conseguia ter os olhos no fogo. O fogo nos arcos, a rodar, a consumir o ar em seu redor. O fogo ali tão perto, perigoso e apaixonante. A música, a lembrar a que se ouve nas feiras medievais, a desconstruir o tempo. Não existia tempo, não existia mais nada, além daquelas raparigas e rapazes a brincar com o fogo, a manejá-lo sem medo, com amor até.
E quando ela entrou, o meu peito encheu-se de orgulho. A Maria é mesmo um mundo. É o “outro lado”. Sempre foi.
Seguiram-se danças e moches, aglomerados de pessoas a darem a mão e a rodopiar juntas, a saltar, rir, cantar… Cheirou a liberdade. Eu não era da escola, mas que importava? Se estivesse no mesmo espírito para me divertir, seja bem-vinda!
Aqui ficam algumas fotos desta noite para recordar



quarta-feira, 18 de novembro de 2009

She's only happy in the sun


But if the sun sets you free
You'll be free indeed
She's only happy in the sun
(Ben Harper)
Que o Sol continue a iluminar o meu dia logo às 8h da manhã, quando abro a janela e vejo os seus raios trespassar as árvores. Que continue a iluminar "a folha", aquela com várias frases que considero as da minha vida, que serviu de capa do portfólio de português o ano passado, e o passpartout que a Babi me deu, com aquela fotografia onde estou com um sorriso do tamanho do Mundo e dela só se vêem os olhos azuis, de que tanto gosto.
Porque começar o dia assim faz-me sentir animada, livre e em paz. E dura, dura, dura...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Uma poça (de água)

Já pensaste no sentido metafórico que pode ter uma poça de água?

Uma poça de água são restos, é o que sobra depois de um dia de chuva. Passam as nuvens, o vento assolador, as pingas que escorram da face e se juntam ao pequeno rio que corre debaixo dos nossos pés. Porém, permanece aquela teimosa porção de ontem, como se o que passou sentisse a categórica vontade de se afirmar no presente.
Uma poça de água é inevitável. Sabemos que vai sempre existir, nem que o dia seguinte seja reino do mais abrasador Sol. Os restos são inevitáveis.
O nosso passado no meu presente é uma poça do que já não me prende, mas permanece para lembrar os dias cinzentos que se seguem, inevitavelmente, aos soalheiros.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Loucura

O Mundo é louco

(prof. Clara Falcão)


Parece cliché, mas nunca é demais dizer. O Mundo é louco, e não é de agora. Entretanto, vamos enlouquecendo com ele.

Por falar em loucura:

Dá para dar umas gargalhadas em dia de chuva (constante).

domingo, 15 de novembro de 2009

Benny

Tem energia até dizer chega. Só faz asneiras. Roí as coisas que mais gosto. Rouba-me os peluches e os chinelos para chamar a atenção. É mimada e invejosa, não nos pode ver fazer uma festa à Twigui. Acorda-me às 10h da manhã aos Domingos. Não me deixa estar em paz na cave a ver um filme ou a correr na passadeira (tem a mania de tentar subir para lá e ladrar). Não obedece às ordens de ninguém (só as vezes às do meu pai). É muito medricas. É capaz de levar qualquer um ao limite da paciência. É um pequeno (grande) monstrinho. Mas é quem me faz companhia enquanto estudo. É quem vê tV comigo, enroscada no sofá, a aquecer-me. É quem se atira para cima de mim quando chego a casa, como se não me visse há anos. É com quem não me inibo de ser o mais carinhosa que consigo. É quem eu adoro ver dormir, porque se assemelha a um autêntico peluche. É a minha Benny. Para ela, tenho um amor único e especial. Costumamos chamar-lhe Benny-ly, não sei porquê. Mas o LY adequa-se na perfeição.

Não sabemos bem em que data nasceu, porque o sítio onde a comprámos não foi propriamente uma bela loja de animais. Encontrámo-la numa daquelas lojas à subida para a serra da estrela, numa pequena jaula cá fora. O dono da loja contou-nos que alguém tinha morto a mãe e, sendo assim, as crias não tinham como ser amamentadas. Comiam as sobras. Ainda não sei como é que consegui convencer os meus pais a traze-la. Era uma bolinha de pêlo, super magra, e já nessa altura não parava quieta. Trouxemo-la em Dezembro, perto do Natal, e nessa altura disseram-nos que tinha um mês, mês e meio.
Por isso, é por volta destes dias que a Benny faz dois anos.
Com todas as suas características irracionais próprias de um cão, a Benny tornou-me mais humana e com um coração mais aberto. E isso não lhe vou conseguir nunca agradecer, nem com as mil festas diárias que recebe.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

"Escola: pendor de jornalismo cívico, fulgor dos direitos humanos















Ontem, às 7h no auditório do Colégio Luso-Francês, realizou-se uma conferência com o mote “Escola: pendor de jornalismo cívico, fulgor dos direitos humanos”. Foram convidados o Dr. Professor Daniel Serrão, médico português e especialista em ética da vida, e André Régio, director do Jornal Veris.
O tema inicial foi a apresentação do Jornal Veris, nome inspirado no padroeiro da freguesia de Paranhos, S. Veríssimo. Porém, e pelas palavras do próprio André Rangel, “esta publicação, embora pertença paroquial, não se delimita e encerra nela, pelo contrário, por força dos seus estatutos e objectivos, define-se e está registada na Entidade Reguladora da Comunicação como um órgão local e regional e, assim sendo, de carácter não exclusivo à temática religiosa.” (in http://www.jfparanhos-porto.org/gca/index.php?id=871 ). Trata-se de um jornal mensal recente, nascido a 24 de Janeiro deste ano, que, ontem à noite, apresentou ao CLF uma proposta de relação e coordenação. Foi oferecido à comunidade educativa um espaço reservado a artigos escritos pelos seus membros. O professor Daniel Serrão iria definir este espaço como “um espaço de futuro”, pelas oportunidades que proporciona. Foram apresentados exemplos como o de Fernando Pessoa e Maria Alberta Menéres.
Por outro lado, o CLF poderá funcionar como centro de divulgação deste jovem jornal, que, como muitos outros, precisa de visibilidade e, acima de tudo, de ser lido.
A intervenção do Professor Daniel Serrão debruçou-se não só no jornal veris, do qual é colaborador, mas simultaneamente na incontestável importância da leitura no nosso crescimento pessoal, intelectual e profissional. Como o Professor afirmou, “Quem não lê não vive fora de si”, pois falha a oportunidade de “construir um mundo através da leitura”, onde se encontram, invariavelmente, “representações da vida” e se alargam horizontes e conhecimentos.
De seguida, o rumo voltou-se para a temática dos Direitos Humanos. André Rangel apresentou a Amnistia Internacional, organização presente em Portugal. A Amnistia Internacional em Portugal tem como objectivo ser um modelo na promoção e defesa dos direitos humanos”, através da “investigação e acção destinadas à prevenção e combate dos graves abusos à integridade física e mental, à liberdade de consciência e de expressão, sobre o direito à não discriminação, no contexto de uma promoção de todos os Direitos Humanos, de forma eficiente, fiável e influente” (in http://www.amnistia-internacional.pt/ ). Fomos informados de um novo núcleo em Paranhos, cuja coordenação é da responsabilidade de André Rangel. O núcleo encontra-se em parceria com o Jornal Veris, através de uma secção dedicada aos Direitos Humanos. A apresentação será neste Sábado, dia 14, às 19h, no auditório da Junta de Freguesia de Paranhos. Os núcleos têm como missão interagir com a comunidade que os rodeia, promovendo sessões de esclarecimento, debates, apresentações, conferências, etc. Para ficarem mais esclarecidos sobre a sua acção, visitem http://aiporto.blogspot.com/.
Na sua segunda e última participação na conferência, o Professor Daniel Serrão dedicou-se à explicação da acção do Conselho da Europa, estrutura demarcada da União Europeia. Foi criado a 5 de Maio de 1949, pelo Tratado de Londres, assinado por dez Estados: Bélgica, Dinamarca, França, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Reino Unido e Suécia. É constituído por 47 países, tendo Portugal aderido a 22 de Setembro de 1976. Um dos seus principais fins é “defender os direitos do homem e a democracia parlamentar, e assegurar a preeminência do direito” (in http://www.coe.int/t/pt/com/about_coe/ ), e por isso a relação com o tema que estava a ser abordado na conferência. Todavia, enquanto a Declaração Universal dos Direitos dos Homens é “uma declaração de intenções”, como a define o Professor Daniel Serrão, sem “valor jurídico”, o Conselho da Europa distingue-se pela defesa de direitos objectivos e concretos, possuindo meios de coerção para punir aqueles que atentem contra estes. Para tal, conta com o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, ao qual qualquer cidadão dos estados-membros pode apresentar queixa se considerar que sofreu ou testemunhou a violação de algum dos Direitos do Humanos.


Considero ter sido uma conferência interessante e rica em novos conhecimentos, apresentados de modo claro e cativante. Desejo um futuro próspero ao jornal Veris, com a esperança que o CLF possa fazer parte integrante deste.


quinta-feira, 12 de novembro de 2009


No fundo, vocês são simplesmente um bando de formigas a atropelarem-se para tentar chegar primeiro. Nem sabem bem aonde, tem é de ser em primeiro. Esfolam-se entre a correria da hipocrisia e maldizem a quantidade de céu que nós temos para voar, porque só conseguem ver o chão que nunca chegaram a realmente sentir debaixo dos pés.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Parabéns Pai

Faz hoje 49 anos que o meu pai nasceu. Tive de ir confirmar com a minha mãe a data de nascimento dele, visto que a está sempre a aldrabar para eu achar que é mais novo.
Para mim, o meu é, acima de tudo, um alguém enorme. Não por ser claramente mais alto do que eu, mas por tudo aquilo que é e me faz ser. Tenho um orgulho imenso no meu pai.
É extraordinário o número de características que temos em comum: a persistência, a responsabilidade, o gosto pela leitura, o interesse por História, o valor que damos à palavra, a descontracção só em certos ambientes, a postura séria no geral, a maneira como respondemos à minha mãe quando ela fala durante muito tempo ("hm hm... hm hm" mas um "hm hm" igualzinho), a curiosidade, a particular capacidade de picar os outros, a exigência connosco e com os outros...
Também é verdade que divergimos em muitos casos, como na religião e na maneira como encaramos os problemas (o meu pai é muito racional e prático, eu sou mais sentimento), mas as discussões que temos ajudam-me a desenvolver capacidade argumentativa.
O meu pai pode parecer uma pessoa difícil e distante à primeira vista. Todavia, é essa impressão que me faz sorrir quando o vejo descontraído e a meter-se comigo. É aquele sentimento de ser das poucas a vê-lo como realmente é.
De tudo o que posso dizer sobre ele, nada iguala o simples facto de ser meu pai, meu protector e meu exemplo para toda a vida.

Parabéns, José Augusto Redondo :)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O Muro de Berlim


No 9ºano, aprendemos que o Muro de Berlim foi construído em 1961. Ensinaram-nos que dividiu a Alemanha entre capitalistas e socialistas, os primeiros liderados pela República Federal Alemã (RFA), os segundos pela República Democrata Alemã (RDA). Dizem-nos que este muro separou famílias e amigos, que muitos morreram ao tentar ultrapassá-lo e que outros tantos foram presos. Decoramos que caiu dia 9 de Novembro de 1989, depois de várias manifestações da população que, nesse dia à 20 anos atrás, subiu o muro e passou para o outro lado. Dão-nos várias definições para este muro: Cortina de Ferro, Muro da Vergonha...
Todavia, em dois anos de História A percebi que há muito mais a dizer sobre tudo o que dêmos anteriormente. E, sejamos sinceros, a minha memória não consegue absorver todos os pormenores das minhas aulas de sexta à tarde do 9ºano (sim, só tinha 90 minutos de História e era a última aula da semana. Enfim.).

Portanto, fica aqui o que eu sei sobre o muro de Berlim, com a expectativa de aprender muito mais este ano, tanto nas aulas como na série de reportagens que apareceram com a comemoração dos 20 anos.

Sabendo muito ou pouco sobre o Muro de Berlim, as duas imagens que vos mostro no inicio do post tocam a qualquer um: dois homens olham-se através do Muro; O que restou da maior parte do muro, atravessado hoje em dia por centenas de pessoas sem que estas se apercebam.

domingo, 8 de novembro de 2009

Fazem-me falta a intensidade e as montanhas russas. As cores e a agitação.
Tenho sede do incerto, da indefinição do amanhã. Já não posso com a rotina.
Preciso das dead lines, da correria, do tamanho exorbitante de tarefas.
Enjoo com a bonança. Acho que me afeiçoei à tempestade.
É como se, à minha frente, estivesse um Mundo cheio de vida, e eu presa à cadeira do cinema a ver tudo na tela, lá longe.
Tenho, acima de tudo, necessidade de estar irremediávelmente apaixonada pela vida. E isso não está a acontecer. Não tenho vontade de sair da cama.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O amor


Prof Joaquim: "O que é que vos faz levantarem-se da cama todos os dias?"
Filipa: "O amor"

Abril (?) de 2008, momento de oração
Hoje lembrei-me deste momento, que parece ser de há muito muito tempo atrás.
E a ti, o que é que te faz levantar da cama?

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O nosso Verão

Ontem a Babi mandou-me as poucas mas fantásticas fotografias dos dias que estivemos na Costa Nova. Foi bom recordar e, acima de tudo, perceber o pouco valor que damos a alguns momentos enquanto os vivemos.
Agora vejo as grandes férias que tive, as melhores de sempre. Muito devem aos lugares, ao tempo, ao descanso, às aventuras, às asneiras, à liberdade... mas devem quase tudo às pessoas com quem as partilhei. Desde os dias no Porto, em Aveiro, no Intra-rail, em Caminha (bis), na Costa Nova, em Lagos, no Caminho... meu Deus, fiz TANTA coisa! Com tanta gente! Fortaleci tantos laços e criei outros tantos. Destribuiu tantos sorrisos. Também derramei muitas lágrimas, mas ergui-me do lago que criei.

Cada vez mais me apercebo que a vida é demasiado curta e que o tempo passa demasiado depressa. Sei que toda a gente está farta de ouvir isto, mas então porque é que se ve tanto desperdício de dias?
Parar é morrer, sempre foi uma directriz na minha vida.

Passado mês e meio desde o fim das férias, encontrei a música que melhor se adequa a esses fantásticos dois meses e meio.


Faz-me lembrar os bons momentos que passei e as pessoas que estiveram ao meu lado, a desenhá-los. O que mais me enche o coração é saber que tudo o que construímos não acabou com as férias e, muito provavelmente, não acabará com o passar dos anos.

domingo, 1 de novembro de 2009

Eu sei




"Amar não é olhar-se mutuamente, é olhar em conjunto, na mesma direcção"

A. Saint Exupéry
Sempre que olho para trás, lá estás tu. Nunca te cansas?
Eu sei que não.
É saber as coisas que muda tudo, que torna o que nós temos numa relação que mais ninguém tem.
Temos riscas de cores diferentes, mas lá que, na sua essência, são riscas, são.

All I need



And If what we got, it's what no one can break
I know I love you
And that's all we can take

quinta-feira, 29 de outubro de 2009


Hoje foi um óptimo dia. É o dia do Rui. Fizemos-lhe um almoço surpresa, do qual ele desconfiou logo. Decoramos a cave, encomendámos pizza, cantámos os parabéns com um bolo todo janota e ficamos a tarde toda a fazer nada e muita coisa.


Parabéns, Ruizinho! Subitamente fiquei sem saber o que dizer, sabes porquê? Porque me lembrei de um remota mensagem "a nossa amizade não é uma amizade qualquer e vai durar". Nada que poderia dizer seria melhor que essa simples frase.
Gosto mesmo de ti, Rui. Obrigada por fazeres parte da minha vida e parabéns, muitos parabéns, não só pelos anos, mas pela pessoa que és, pelo amigo que és. Adoro-te, sabias? :)
O dia não foi só bom pela fantástica tarde. A boa notícia que a Geni me deu também contribuiu, muito. Quero muito caminhar contigo, irmã de coração.
Tive hoje finalmente algumas fotos do Caminho de Fevereiro. Que bom recordar! Parece que foi há mais tempo do que na realidade. Tanta coisa mudou... é interessante reflectir sobre isso.
Além disso, tive o último teste desta primeira fase! Vamos lá ver se o balanço vai ser positivo.
Digo, mais uma vez, é disto que se fazem os dias.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Não sei, ama, onde era

Não sei, ama, onde era,
Nunca o saberei...
Sei que era Primavera
E o jardim do rei...
(Filha, quem o soubera!...).


Que azul tão azul tinha
Ali o azul do céu!
Se eu não era a rainha,
Porque era tudo meu?
(Filha, quem o adivinha?).


E o jardim tinha flores
De que não me sei lembrar...
Flores de tantas cores...
Penso e fico a chorar...
(Filha, os sonhos são dores...).


Qualquer dia viria
Qualquer coisa a fazer
Toda aquela alegria
Mais alegria nascer
(Filha, o resto é morrer...).


Conta-me contos, ama...
Todos os contos são
Esse dia, e jardim e a dama
Que eu fui nessa solidão...



É suposto concentrar-me em Fernando Pessoa, portanto aqui está o poema que, até agora, mais gostei. Lembro-me de já o ter ouvido antes à muito tempo atrás, não sei bem quando. Nostalgia da infância? Talvez :p

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Lots of things


Hoje lembrei-me dos Free Hugs. A ideia, logo que me foi apresentada, pareceu-me tão pura e essencial que me fascinou de imediato. Nunca tinha imaginado possível existir alguém que fosse para a rua com um cartaz a dizer "FREE HUGS" num Mundo onde não existem almoços grátis. Não é fantástico?
Não me perguntem porquê é que me lembrei disto hoje, porque sinceramente não sei. Acho que simplesmente dei de caras, novamente, com este vídeo e viagei, durante 3:39 agradáveis minutos às aulas de moral do 10ºano, na sala multimédia.Por ligação, lembrei-me também do professor Joaquim. Tem sido recorrente, pela falta que faz no clf e, especificamente, a falta que fez no Caminho de Setembro.

Fica aqui o vídeo:




And I'll take you for who you are, if you take me for everything
Parece-me justo

E, já agora, uma fotografia dos Free Hugs em Lisboa, começados pelo Pi e pelo Nuno, com colaboração de Luísa, Luís e minha :)

Free Hug para o Marci (tem vários diariamente :) )

Hoje houve também futebol logo pelas 8:30, teste de Direito às 10:20, entrega a Psicologia no último tempo, resumos de História, um pouco de estudo para Português e Dama e o Vagabundo 2 no resto do tempo, até à hora do Inglês. Acabei o dia com um passeio a ser arrastada pela Benny (ela é que me passeia!!) mais a minha mãe e a Twigui um pouco atrás. Inverti uma grande decisão, esperemos que agora definitivamente, e não espero muito mais deste dia, mas, quem sabe!

E por falar em futebol (hoje também é dia de escrever muito), ontem saí seriamente revoltada do Dragão. Não foi o jogo que me incomodou, porque maus jogos todas as equipas têm, principalmente contra adversários que põem o autocarro à frente da baliza, mas sim pela falta de... eu nem sei de que (!) dos adeptos portistas. Falta de senso comum, pode-se dizer, visto que vão ao estádio, pagam p0r isso, apanham frio com o perigo de ainda chover, não jantam direito por causa da hora do jogo e, depois de todos estes inconvenientes, vão para o estádio chatear! É que não tem outra palavra: chatear! Assobiam logo a equipa nos primeiros minutos quando vêem que não está a arrancar bem, insultam e tentam deitar abaixo jogadores que não estão a conseguir produzir jogo... enfim, parecem da outra equipa! Oh minha gente, assobiar é o adversário, não os nossos miúdos!!! Assobiar é o no fim, como demonstração de desagrado. Nos 90 minutos e na compensação, não esquecer, é apoiar incondicionalmente!

E se ontem alguém mereceu que as minhas mãos ficassem vermelhas foi o grande Mariano. Não gosto da maneira como ele joga, muitas vezes preferia que estivesse no banco, mas quando está lá apoio porque veste a camisola do meu clube, não há dúvidas! Foi indecente a assobiadela que ele levou por ser o Rodriguez a sair. Passados uns minutos, que é que faz? GOLO! Passados outros três? ASSISTÊNCIA! Tomem lá, foi o meu grito.

Não percebo porque é que algumas pessoas se incomodam a ir ao estádio para desmotivar a equipa e fiquei muito desiludida com a massa adepta do FCP. No meio disto tudo, quem apoiou sempre foram as claques. Entre o emproado com cara de quem lhe está sempre a cheirar mal que está ao meu lado, que nunca sorri nem bate palmas, só reclama, e o Macaco, venha o líder dos Super! São isto e aquilo e mais todo o mal que há no Mundo, mas justificam a sua ida ao estádio.

Biba o Porto! E tenho dito.


domingo, 25 de outubro de 2009




Ontem à noite entreti-me a ver A Dama e o Vagabundo, e na sexta vi A Bela e o Monstro.


Os filmes da Disney têm aquela particular característica de me fazerem viajar para a altura em que era criança e os via todos os dias, mais do que um por dia. Lembrar-me do tempo em que tinha tempo para o fazer, pois o Mundo parecia andar mais devagar e não me exigia que corresse atrás dele.


Agora o tempo foge, nunca há tempo para nada, diz-se. E eu concordo, tirando que, para mim, irá sempre existir umas horas deitada no sofá da cave, com uma manta até ao pescoço, o Memé entre os braços e um filme da Disney, cheio de música, cheio de alegria, cheio de lições a aprender, cheio de magia... cheio de mim no meu estado mais natural.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Cântico Negro

Cântico Negro
"Vem por aqui" --- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.---
Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
--- Sei que não vou por aí.
José Régio