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domingo, 25 de julho de 2010

Que vontade!



Hoje sonhei que estava num supermercado a comprar duas barras de chocolate Milka para comer no dia seguinte, enquanto fazia a primeira etapa do Caminho de Santiago.

Acordei cheia de vontade que fossem 6h da manhã, num beliche de Sarria, com a mochila ao lado e um batalhão de companheiros a amanhecer comigo.

sábado, 12 de junho de 2010

A palavra obrigado

O Pino, 26 de Fevereiro de 2009.

A oração tinha sido preparada pela Inês Viterbo e por mais duas pessoas que, peço desculpa, não recordo quem era. Se me lembro da Inês, é porque o que ela disse me marcou para sempre e é sobre isso mesmo que hoje dedico o meu post.

Já caminhávamos desde dia 21 de Fevereiro. Ainda consigo (re)sentir na pele o cansaço. Físico sim, que o meu joelho não perdoou o esforço, mas, principalmente, cansada de uma carga interior demasiado pesada para mim. Eu ainda não tinha aprendido a lição da mochila interior, Juca, só a da exterior.
Sentada no chão, encostada à Maria, ouvi das palavras com mais significado para mim. A oração em si era belíssima. A terceira antífona era "O essencial é invisível aos olhos" e uma das orações o excerto de "O Principezinho" no qual Saint-Exupéry fala dela. Quando acabamos de a ler, a Inês falou.
Falou, essencialmente, sobre o significado da palavra Obrigado. Não cito pois a minha memória não dá para tanto, mas tentarei aproximar ao máximo as minhas palavras às da Inês. Não me lembro se isto tinha fundamento literário, ou se foi algo que saiu da própria Inês: A palavra Obrigado pressupõe um compromisso entre a pessoa que a diz e aquela a quem a dirige. A partir do momento em que dizemos um obrigado sincero a alguém estabelecemos uma ligação eterna com essa pessoa. Existe algo tão profundo que nos uniu ou une que nos fez sentir a necessidade de agradecer.

Cantamos "O Essencial", "Obrigado", "Agradece a Deus". Lembro-me de cada abraço, de cada "obrigado" e, principalmente, das palavras da Inês.

Hoje, em conversa com o João, relembrei este momento. Expliquei-lhe o porquê da importância da palavra para mim e que basta só isso para me iluminar o caminho (para Santiago e para todos os outros destinos) durante toda uma vida. Além de tudo, para quem já fez o Caminho, sabe que nada se compara a um "obrigado" sussurrado na praça d' Obradoiro.

A conversa impunha-se pela altura em que nos encontramos, pela necessidade quase palpável de agradecer às pessoas de quem nos temos de despedir e deixar de ver no nosso dia-a-dia. Porém, impunha-se também relembrar que não se deve gastar uma palavra assim. Por isso, estejam atentos a tudo: aos gestos, aos olhares, às outras palavras. Podem ter um obrigado enorme por detrás delas. Ou, então, encontrarei o momento certo para vos entoar esta magia, este vento quente que nos acalma.

sábado, 22 de maio de 2010


"Não é preciso ser árvore para deixar raízes"


Saramago



Staralfur, Sigur Ros

domingo, 28 de março de 2010

Um pouco de céu


Há imagens que falam por si só.
É indescritível poder partilhar um pouco de céu com pessoas como vocês. Obrigada...

sábado, 27 de março de 2010

E, assim sem mais nem menos, chegou o final do segundo período.

"Não quero assustar ninguém, mas já está quase a acabar", disse hoje. Não quero assustar ninguém, contudo continuo a sentir-me eu própria (era agora que entrava o brasileiro daquele vídeo da redundância) imensamente assustada com a forma como os dias nos escorregam pelas mãos e se perdem.



Porém, há alturas em que o tempo parece simplesmente parar...



sábado, 27 de fevereiro de 2010

Há um ano atrás, descobri pela primeira vez o sabor das amoras.
E nunca mais me que esqueci.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Fascina-me o modo subtil como pequenos gestos nos fazem sorrir de forma tão verdadeira. Fascina-me, ainda mais, andar a cruzar-me com tantos.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010



A melhor parte do regresso é rever nos vossos sorrisos a alegria do mundo que descobrimos no Caminho.

Ainda me sinto levitar.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010


Foi um dia atipico.
Acordei com o pensamento "Amanhã vou para o Caminho!" e "Daqui a nada recebo o teste de História". O último ficou também para amanhã, mas tento não me deixar distrair com isso. Tento, também, não sentir muita falta de quem não parte amanhã connosco. Quero começar este novo Caminho de coração aberto, como sempre, e não apertado como ficou quando me despedi de alguns deles hoje.
De tarde, almoçei com algumas das pessoas mais importantes da minha vida. Gente de outros caminhos. Fizeram-me notar, mais uma vez, do quanto gosto deles.
Eu e a Luisinha tivemos uma saída romântico e fomos ver "A Princesa e o Sapo", conto da Disney que nos ensina que temos de lutar pelo que desejamos, mas sem nos esquecermos do que é realmente importante. Achei oportuno.
Hoje, a professora Eunice falava de sinais. Encontrei o meu ao correr do metro para casa a alta velocidade, para depois ter de voltar a correr, desta feita para o instituto. Senti-me realmente cansada, não só das pernas, como de espírito. Preciso de parar de correr. Preciso de andar, de caminhar, definitivamente.
O Pi acabou de me dizer o seguinte:
"Fizeram-me reparar que hoje é dia 11 e que isso significa que há 5 meses atrás viemos de santiago (11/09). Curiosamente, amanhã regressamos. Boa noite."
Também eu vos desejo boa noite. E bom Carnaval. E bom Caminho, qualquer que seja o dia de partida.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

"Água fria da ribeira, água fria que o Sol aqueceu..."

(Não havia era Sol!)
Primeiro cheiro a Caminho: um baninho de água gelada. Depois de cinco meses sem banho de água fria, os canos da minha rua pensaram: menina, estás muito mal habituada. Toma lá um baninho daqueles bons do Caminho para te começares a ambientar.
É fascinante (ou fascizante...?) como nos podemos rir dos imprevistos de cada dia.

sábado, 19 de setembro de 2009

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

09'09

Hoje fui mandar revelar as fotografias do Caminho e, para minha grande surpresa, disseram-me que só estariam prontas na próxima quarta-feira. O que 1. me fez ir ao NorteShopping só para as por lá 2. me fez não as ter já e queria mesmo vê-las.
Há uma semana atrás chegámos a Santiago. Como é indescritível e denso chegar a Santiago. Cair de costas em cima da mochila, sentir a imensidão da catedral, abraçar os nossos companheiros, sem que nenhuma palavra tenha de ser dita para tudo se entender. Como é bom chegar e como custa partir. O coração fica cheio, tão cheio que nasce em mim uma energia inexplicável depois de tanto cansaço físico e psicológico.
Existe, e sempre existirá, o desafio de ser nos corredores, nas salas, na rua, em casa, resumidamente, na vida, o que fomos ao caminhar. Dar um sorriso a quem precisa, um abraço, a mão... o que for preciso. Se para mim é fácil faze-lo no Caminho, na vida ergue-se uma barreira não sei muito bem vinda de onde. São as máscaras, as sunday clothes.
Santiago pode parecer longe, geograficamente é, mas para mim é perto, muito perto. Porque o vejo em ti, companheiro de passos, de cansaço, de calor, de dores, de bolhas, de massagens terapéuticas, de albergues ou ginásios, de desconforto, de lágrimas, de desânimo, tantas vezes. Companheiro também de alegria, de canções, de sorrisos, de mãos dadas, de abraços, de palavras sussuradas, de Caminho. E por isso, e tanto mais, se me acompanhaste neste Caminho e em todos aqueles que não acabam em Santiago, que ainda decorrem, te tenho a dizer obrigado!