terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Words are like stones in my heart

Avatar

Fantástico filme, vale mesmo a pena ver. A história tem um enredo cativante, o mundo que vemos desfilar no ecrã é completamente imaginário. Nada tem a ver com nada do que nos rodeia. Deste modo, o filme consegue aquele que foi o primeiro grande propósito do cinema: distrair as pessoas da sua vida e proporcionar-lhes um momento de abstracção.


Outro grande filme que vi recentemente (hoje...) foi o Sherlock Holmes. Relembra constantemente como os detalhes são a chave dos enigmas, além de ter acção, um toque de humor e os incríveis Robert Downey Jr. e Jude Law. Perdi a conta ao número de vezes que o Luís Pedro me ouviu suspirar que o Jude Law era indescritivelmente encantador. Já dia 25 me tinha deliciado a ver "O Amor Não Tira Férias".


Moving on.


Estamos no finzinho de 2009! Ainda pensei fazer hoje uma reflexão sobre o meu ano, mas a minha cabeça deu um nó. Condensa-se numa frase: Parar é morrer.

Vou para Monte Real (Portugal) e só volto dia 2. Levo na mala um tempinho para mim, o "A Era dos Extremos", o reencontro com "Marley e Eu" e o meu querido Ipod Nano, que ainda não tem nome (Nuno, começa já a pensar!). E roupa, claro.

Uma boa passagem de ano para todos. Que jantem bem, com muitos risos e histórias à mistura, seguidos de boa música e uns passinhos de dança. Façam todos aqueles desejos, pensem em todas as coisas que vão mudar em 2010 e, dia 1, acordem para a real e cantem com os U2: Nothing changes on New Year's Day

sábado, 26 de dezembro de 2009

Speak For Me


"Estás muito calada"
"Que queres que diga?"

Estúpida resposta. Lembro-me de a ouvir vezes sem conta e detesta-la. Agora sou eu que a dou.
Realmente, não tenho nada a dizer. Não por achar que o que quero dizer não valha a pena, mas sim por não ter mesmo nada que consiga transmitir.
Não sei que mordaça estou a usar ou quem a pôs. Sei que incomoda.



Speak for me; you'll see the same signs
Do you know how to read between the lines?
(Speak For Me - Cat Power)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

What is this? Nightmare before Christmas


Bom Natal :)

Conversas (não) alheias

Já é relativamente tarde. Voltei há pouco de casa do Tuca e vim tratar da minha quinta. Enquanto a minha boneca agricultora cuida das flores, dei um saltinho ao blog.

Os The Killers cantam, agora, no meu windows media player, It was only a kiss, it was only a kiss, o que me faz lembrar uma conversa que ouvi hoje no metro. Visto estar cheiinho e as raparigas falarem mesmo muito alto não me sinto culpada por ter ouvido (só para terem uma ideia, estava a ouvir música no máximo e ainda as ouvia...). Contava uma ao rapaz que tinham acabado de encontrar no metro:
'E houve uma vez que ela namorava com aquele da equipa x (já não me recordo do nome) e o traíu com o melhor amigo dele *risos*'
' Não, não. Eu acabei com ele antes...!'
'Sim, uma hora antes de ires comer o outro!'
'Pois *risos*'

Ainda tenho aqueles risos presos na cabeça. A displicência é brutal, no real sentido da palavra.

Todavia, os The Killers também cantam I'm coming out of my cage and I've been doing just fine.

That's right :)

A minha irmã chega amanhã!

domingo, 20 de dezembro de 2009

Perspectivas

Se de noite chorares pelo Sol, não verás as estrelas
(Rabindranath Tagore, escritor)

sábado, 19 de dezembro de 2009

(Leiria, pousada da juventude)

O que mais quero nestas férias é simplesmente isto: estar de barriga para o ar, recuperar baterias.

Entretanto, acontecem coisas vergonhosas como esta.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Filtração

Dedico um momento a pensar no curioso labirinto que a nossa memória é. (Re)Lembrei hoje como conseguimos filtrar os momentos, deixar para trás pormenores de experiências dolorosas que assaltaram o nosso passado. "Quem me leva os meus fantasmas?", cantava o Marcelo repetidamente esta semana. A tua memória leva um pouco do seu conteúdo, Marci.
(Re)Apercebi-me que filtrei muita coisa terrível, muita coisa que me magoou muito na altura, física e psicologicamente. As dores físicas, então, são fáceis de arrumar a um canto. (Re)Vejo as dificuldades por que passei e espanto-me por concluir que, provavelmente, os meus pais e a Maria se lembram melhor delas do que eu. Apaguei muita coisa.
Por isso é que hoje tremia como varas verdes no bloco operatório, por só ter conservado da minha primeira e única, até ontem, operação simples cheiros e imagens desconectadas. A minha memória dizia que tudo aquilo era novo, apesar de não ser.
Pus-me, assim, a pensar de como a memória é manipulável e desarma as péssimas vivências, mudando-as para más vivências, e nem é preciso passarem muitos anos. Meros meses chegam para ficar tudo um pouco deturpado.
Se calhar é só comigo, que tenho uma memória desgraçada para as mais variadas coisas.



Hoje, Glósóli (Sigur Rós)


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Don't panic

Don't panic, don't panic, don't panic

don't panic, don't panic, don't panic

don't panic, don't panic, don't panic

(Oh, all that I know
There's nothing here to run from,
'Cos yeah, everybody here's got somebody to lean on)


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Cabeça ao vento

Só para perceberem como a minha cabeça anda mesmo no sítio, vejam o que fiz hoje de manhã:


07:30h: Pi entra no quarto depois de se arranjar. Antes de descer para tomar o pequeno-almoço pensa que não se pode mesmo esquecer das coisas de português que estão pousadas ao lado da pasta

07:50h: Desce para a sala, senta-se no sofá com a Benny depois de pousar as coisas que tinha de levar para a escola no chão. Falta o trabalho para a oficina de leitura e o portefólio de português, mas esta não se apercebe.

08:20h: Já no carro da mãe da Kika, a caminho do CLF, apercebe-se que deixou as coisas de português em casa. "Panica", pois precisa mesmo delas para hoje. Ainda liga à mãe, mas esta não atende

08:30h: Entra no 600 para voltar a casa. Entretanto, perde a aula de Direito.

08:50h: Chega à paragem perto de sua casa. Corre feita doida rua abaixo, mete o pé direito numa poça. Além de acontecer metaforicamente meter o pé na poça, ainda têm de concretizar fisicamente.

09:00h: Sai de casa e apanha boleia com o vizinho Toni, que a deixa na paragem de autocarro, outra vez. Lembra-se que não trouxe dinheiro e tem de pedir emprestado.

09:40h: Chega exausta ao CLF. Vai para a sua sala aquecer os pés.

10:00h: Explica à professora Clara o que se passou. Esta não levanta problemas, nem a mãe, quando lhe liga para saber o que se tinha passado.


Durante o resto do dia ainda me fui esquecendo de coisas pelo caminho e tive de voltar atrás a buscá-las. Eu não sei onde anda a minha cabeça, mas gostava de a ter de volta. Ás vezes dá jeito.
Se calhar é mesmo como os Pearl Jam dizem: Don't you think you oughta rest? Don't you think you oughta lay your head down? Don't you think you want to sleep?

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

As fotografias

As fotografias que costumamos postar em que aparecemos representados costumam ser as que consideramos que ficámos bem, as que nos relembram bons momentos ou aquelas nas quais estamos com pessoas de quem gostamos.
Hoje, para variar, ponho uma fotografia na qual não considero estar bonita e muito menos alegre, além de estar sozinha. Considero-me real, sem sunday clothes.
Hoje, para não variar, precisava de um abanão.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Give me truth

Rather than love, than money, than faith, than fame, than fairness, give me truth

Into The Wild
A verdade esmaga-te. Entra em ti calcando tudo o que preciosamente guardaste: amor, dinheiro, esperança, fé, fama, justiça... O amor nem sempre vem na quantidade que queremos. O dinheiro nunca chega. A esperança cria ilusões maldosamente destruídas pela realidade. A fé às vezes falha. A fama dá-te o superficial. A justiça parece já quase um mito.
Give me truth, give me truth. Pois, mas a verdade é, também ela, tramada.
Está demasiado frio. Dá-me um pouco mais desse calor e deixemos a verdade para outro dia.

sábado, 12 de dezembro de 2009

End Of The Road

Passei só aqui para dizer que hoje o FCE correu relativamente bem e seguiu-se de uma tarde muito agradável.
Conseguimos parar um pouco o tempo, mesmo que ilusoriamente, e observar a agitação constante das compras de Natal e do frenezim próprio do ser humano. Eu gosto muito de ti, Pedro.

O post é breve pois estou a morrer para ir ver o Into The Wild, prenda de Natal antecipada do Pedro. Foi um filme que vi já há algum tempo (um ano?) numa daquelas noites em casa da Maria, em que ela adormeceu a meio e eu continuei a ver, completamente colada ao ecrã.
Antes mesmo de ver o filme, já tinha a banda sonora. Fica aqui uma das minhas favoritas:




Está carregada de Caminho. Lembro-me da relembrar e partilhar enquanto nos dirigiamos ao difícil Monte do Gozo. Que saudades desses momentos.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O meu sistema nervoso II

Há dias em que só me apetece cantar como os Linkin Park:

I tried so hard and got so far
But in the end it doesn't even matter



Mas sou demasiado teimosa para isso...
Além disso, existe sempre algo que nos mostra que it does matter














PS: Parabéns, Professora Eunice! Um beijo e um obrigada :)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O meu sistema nervoso

Tenho andando cansada. Demoro muito tempo a conseguir adormecer, mesmo quando estou de rastos, e nem enquanto durmo consigo ter um sono profundo e descansado. Ainda bem que vêm aí as férias!

Por falar em férias, amanhã tenho o meu último teste deste periódo. História. Acabamos bem acabamos. Eu detesto fazer testes de História. Gosto da disciplina, gosto de estudar e não me importo de fazer exercícios escritos. Mas testes... testes mexem com o meu sistema nervoso.
O Marci hoje é que sofreu com isso, já que não me calei durante a aula de Direito toda com o que sabia e o que não sabia, e o que era mais complicado, e os nomes esquisitos que tinha de decorar... etc etc. Quando quero sou mesmo chata.
Simplesmente é o único teste para o qual nunca me sinto 100% preparada porque ou tenho medo de me esquecer de tudo, ou de confundir matérias, ou de me esquecer das datas, ou de não conseguir integrar bem o documento ou, como acontece sempre, não ter tempo para fazer todas as questões com calma e cabeçinha, ou isto tudo junto. No meio de tanta dúvida, só tenho uma certeza quando entro para o teste: daqui a 100, 105 minutos acaba. Quando quero também sou mesmo stressada.
Entretanto, encontrei um certo papel do meu 10ºano solto entre as micas de uma capa. E diz o seguinte:

-> Documento:

  • Ler
  • Sublinhar ideais principais
  • Retirar a ideia chave de cada parágrafo
  • Ler a pergunta
  • Perceber o seu objectivo
  • Voltar ao documento e ver as ideias precisas

-> Resposta:

  • Localização temporal / espacial
  • Contextualizar
  • Matéria + Documento
  • Conclusão
  • Nota: dizer número do gráfico, ver a legenda

-> Pergunta Desenvolvimento:

  • Ler bem a pergunta
  • Ligar documentos aos tópicos

Portanto, amanhã, caros colegas, não se esqueçam de respeitar estes passos que nos têm seguido desde há dois anos para cá.

E tu, Filipa Redondo, Breathe

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Esfera


Eu vim de outra esfera,
Tão só como escura,
Eu dei-me ao teu dia,
Na espera de uma luz.

Ornatos Violeta

domingo, 6 de dezembro de 2009

Adeus, não afastes os teus olhos dos meus- David Fonseca


Quando dormes
e te esqueces
o que ves
tu quem és
Quando eu voltar
o que vais dizer?
Vou sentar no meu lugar

Adeus
Nao afastes os teus olhos dos meus
isolar para sempre este tempo
é tudo o que tenho para dar

Quando acordas
porque quem chamas tu?
Vou esperar
eu vou ficar
nos teus braços
eu vou conseguir fixar
o teu ar
a tua surpresa

Adeus
Não afastes os teus olhos dos meus
eu vou agarrar este tempo
e nunca mais largar

Adeus
Não afastes os teus braços dos meus
vou ficar para sempre neste tempo
eu vou, vou conseguir para-lo
vou conseguir para-lo

Vou conseguir

Adeus
Não afastes os teus olhos dos meus
vou ficar para sempre neste tempo
eu vou conseguir para-lo
eu vou conseguir guarda-lo
eu vou conseguir ficar

Sem palavras...


sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A loucura


Ouvi-a bater à porta levemente. Sobressaltada, agarrei-me aos lençóis, com o medo a percorrer todo o meu corpo como choques eléctricos.
O bater continuou, semelhante a um roçar do vento nas folhas. Devagar, pé ante pé, como nos filmes de terror, dirigi-me à porta.
Quando a abri, exclamei de imediato:
- Dona Loucura!
Ela sorriu-me, a Loucura. Amavelmente, retorquiu:
- Não me chames Dona, minha querida. Somos velhas conhecidas, esses tratamentos já não são necessários.
Olhei-a confusa. Não me lembrava de ter visto muitas vezes a Loucura, muito menos dela me visitar a horas tão tardias.
Convidei-a a sentar-se. Velhas conhecidas ou não, a boa educação continua a ser precisa.
Dona Loucura, como continuei secretamente a tratá-la, dissertou sobre a longa viagem que fizera, as pessoas que visitara e os países que percorra, sem nunca me revelar o motivo para estar ali, no meu quarto.
Não resisti, tive de perguntar:
- O que faz agora aqui, Loucura?
- Ora, o que faço aqui?! Tu chamaste-me, meu bem!
Eu?! Eu não chamei ninguém. Estava simplesmente deitada na minha cama, ainda há uns minutos atrás, a dar voltas e voltas entre os lençóis sem conseguir adormecer. Mas isso não tinha nada de novo, nem de louco, que eu soubesse.
Dona Loucura olhou-me com ternura e murmurou:
- Lembras-te? Claro que lembras, querida. Quando tentavas arrumar nessa cabecinha todos os teus pensamentos difusos, consideras-te aquela hipótese…
Continuei a fixa-la atentamente.
- Sim, aquela hipótese de ires lá para fora apanhar com o aguaceiro que ainda agora molha a calçada da tua rua. Quando pensaste que te poderias dissolver com as gotas, correr com elas nos ribeiros que se criam entre os passeios e as estradas e ser coisa nenhuma. Ainda consigo sentir o teu árduo desejo de desaparecer entre o manto de água que caí do céu.
Reflecti sobre o que me dizia. Sim, lembrava-me. Ainda há pouco tivera esse pensamento. Sempre gostei de ouvir a chuva a cair lá fora, contra a minha janela e as minhas telhas. Pressentia o frio com que a noite se revestia e sentia-o na pele, apesar do calor que emanava da minha cama. Enrolada em mim mesma, fazia-me noite e, com a chegada da chuva, arrumava malas e ia com ela. Tudo dentro da minha mente.
- Isso é loucura? Isso é ser como você?
- Deixa o você para o lado. Aqui nem há você, nem tu, nem eu. Há nós.
- Sou loucura? Por querer ser chuva, por sentir frio quando está calor? – interpelei, alarmada.
Mais uma vez, perfurou-me com o seu paciente olhar. Que Loucura tão calma era aquela? Talvez a da razão.
- Como queres ser chuva, frio, rio, nada, se tudo o que és é paixão, quente, entrega, existência? Marcas e marcas-te com ferro a ferver. Nunca serás vazio, minha querida.
Levantou-se, lançou-me um sorriso (esse, sim, puramente louco) e saiu, fechando a porta atrás de si.
A loucura é tramada.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Proibido!


No Domingo passado, entreti-me a ler o livro "Proibido!", de António Costa Santos. Foi um livro mostrado em aula pelo prof. Zé António que contem uma lista de actos que eram proibidos durante o Estado Novo. Desde sacudir o pó a utilizar isqueiro sem licença, podemos encontrar um pouco de tudo neste livro que retrata " um tempo caricato, mas sem graça".


De entre todas as proibições, escolhi a que achei mais caricata e peculiar. Ora leiam:


"Ficou célebre a portaria n.º 69035 da Câmara Municipal de Lisboa, datada de 1953, (...)

Dado verificar-se à época «o aumento dos acto atentatórios à moral e aos bons costumes, que dia a dia se têm vindo a verificar nos logradouros públicos e jardins, e, em especial, nas zonas florestais, Montes Claros, Parque Silva Porto, Mata da Trafaria, Jardim Botânico, Tapada da Ajuda e outros» determinava à polícia e aos guardas florestais «uma parmanente vigilância sobre as pessoas que procurem frondosas vegetações para a prática de actos que atentem contra a moral e os bons costumes»


«1.º - Mã­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­o na mão 2$50
2.º - Mão naquilo 15$00
3.º - Aquilo na mão 30$00
4.º - Aquilo naquilo 50$00
5.º - Aquilo atrás daquilo 100$00
6.º - Parágrafo único - Com a língua naquilo 150$00 de multa, preso e fotografado.»"



Na segunda-feira explicava a um grupo de amigos a explicação para a diferença, a meu ver, da quantia a pagar pela "mão naquilo" e "aquilo na mão". É lógico que os infames que atentam contra a moral e os bons costumes e, ainda por cima, retiram prazer de tal acto paguem mais de quem o dá!

A ironia não implica que seja a favor da "prática de actos que atentem contra a moral e os bons costumes" em praça pública. Obviamente que não sou, para isso é que existem espaços privados. Mas tal não retira o ridículo da lista de multas a aplicar, nem das metáforas recorrentemente utilizadas na Lei, durante o Estado Novo.


Se calhar é importante reflectir quanto ficou deste tempo, quantas proibições não escritas impomos uns aos outros porque 'não fica bem' ser doutra maneira. Este livro também abre espaço a essa reflexão.


terça-feira, 1 de dezembro de 2009