Pela última vez, olhei-a com atenção. Percorri cada canto, tão cheios de recordações e, ao mesmo tempo, tão carregados de vazio, agora sem a nossa habitual presença.
Lembrei-me de tantos, tantos momentos.
Da nossa primeira aula de geografia, curiosamente naquela sala, que ainda nem nossa era.
De mim naquele escondido lugar lá atrás, com a cabeça encostada à parede e o olhar perdido, tantas vezes.
De mudar para a frente durante História.
Das cusquices com a Geni.
Das conversas com o Nuno.
Das invasões das outras turmas.
Das colunas a cair ao chão.
De me virar para trás e chatear o Marcelo.
Do sono das 8:30.
Dos lanches.
Da eterna árvore de Natal.
Das inúmeras conversas pós-aula.
Dos berros do professor Carlos Ramalho.
Do riso dos meus colegas.
Dos esquemas da professora Eunice.
Das aulas de terça à tarde de Filosofia.
Dos desafios do Juca de quinta à tarde.
Das aulas em geral. Passaram-me pela cabeça imagens de tantas aulas...
Mas, principalmente, senti de novo o ambiente acolhedor da nossa pequena sala, também chamada de arrumos. Escondida no final do corredor, alheia a olhares curiosas, até com sinas de aviso à porta. A sala do povo nos intervalos, mas sempre nossa, tão nossa.
Podia ficar aqui a noite toda a relembrar momentos passados. Porém, há coisas que chegam a quem têm de chegar sem palavras.
Tenho-vos tudo a dar, porque foi isso que partilharam comigo estes três anos.




