sábado, 26 de junho de 2010

Lugares que marcam






Pela última vez, olhei-a com atenção. Percorri cada canto, tão cheios de recordações e, ao mesmo tempo, tão carregados de vazio, agora sem a nossa habitual presença.
Lembrei-me de tantos, tantos momentos.

Da nossa primeira aula de geografia, curiosamente naquela sala, que ainda nem nossa era.

De mim naquele escondido lugar lá atrás, com a cabeça encostada à parede e o olhar perdido, tantas vezes.

De mudar para a frente durante História.

Das cusquices com a Geni.


Das conversas com o Nuno.

Das invasões das outras turmas.

Das colunas a cair ao chão.

De me virar para trás e chatear o Marcelo.

Do sono das 8:30.

Dos lanches.

Da eterna árvore de Natal.


Das inúmeras conversas pós-aula.


Dos berros do professor Carlos Ramalho.

Do riso dos meus colegas.

Dos esquemas da professora Eunice.


Das aulas de terça à tarde de Filosofia.


Dos desafios do Juca de quinta à tarde.
Das aulas em geral. Passaram-me pela cabeça imagens de tantas aulas...



Mas, principalmente, senti de novo o ambiente acolhedor da nossa pequena sala, também chamada de arrumos. Escondida no final do corredor, alheia a olhares curiosas, até com sinas de aviso à porta. A sala do povo nos intervalos, mas sempre nossa, tão nossa.
Podia ficar aqui a noite toda a relembrar momentos passados. Porém, há coisas que chegam a quem têm de chegar sem palavras.
Tenho-vos tudo a dar, porque foi isso que partilharam comigo estes três anos.

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