
No Domingo passado, entreti-me a ler o livro "Proibido!", de António Costa Santos. Foi um livro mostrado em aula pelo prof. Zé António que contem uma lista de actos que eram proibidos durante o Estado Novo. Desde sacudir o pó a utilizar isqueiro sem licença, podemos encontrar um pouco de tudo neste livro que retrata " um tempo caricato, mas sem graça".
De entre todas as proibições, escolhi a que achei mais caricata e peculiar. Ora leiam:
"Ficou célebre a portaria n.º 69035 da Câmara Municipal de Lisboa, datada de 1953, (...)
Dado verificar-se à época «o aumento dos acto atentatórios à moral e aos bons costumes, que dia a dia se têm vindo a verificar nos logradouros públicos e jardins, e, em especial, nas zonas florestais, Montes Claros, Parque Silva Porto, Mata da Trafaria, Jardim Botânico, Tapada da Ajuda e outros» determinava à polícia e aos guardas florestais «uma parmanente vigilância sobre as pessoas que procurem frondosas vegetações para a prática de actos que atentem contra a moral e os bons costumes»
«1.º - Mão na mão 2$50
2.º - Mão naquilo 15$00
3.º - Aquilo na mão 30$00
4.º - Aquilo naquilo 50$00
5.º - Aquilo atrás daquilo 100$00
6.º - Parágrafo único - Com a língua naquilo 150$00 de multa, preso e fotografado.»"
Na segunda-feira explicava a um grupo de amigos a explicação para a diferença, a meu ver, da quantia a pagar pela "mão naquilo" e "aquilo na mão". É lógico que os infames que atentam contra a moral e os bons costumes e, ainda por cima, retiram prazer de tal acto paguem mais de quem o dá!
A ironia não implica que seja a favor da "prática de actos que atentem contra a moral e os bons costumes" em praça pública. Obviamente que não sou, para isso é que existem espaços privados. Mas tal não retira o ridículo da lista de multas a aplicar, nem das metáforas recorrentemente utilizadas na Lei, durante o Estado Novo.
Se calhar é importante reflectir quanto ficou deste tempo, quantas proibições não escritas impomos uns aos outros porque 'não fica bem' ser doutra maneira. Este livro também abre espaço a essa reflexão.
Minha sobrinha ...eu tia...velhota sou do tempo do Estado Novo e nessa época namorei e dei beijinhos na rua,fartei-me de andar de mão dada e dancei encostadinha:-) que bom que foi:-) curiosamente não apanhei nenhuma multa:-) possivelmente as coisas foram-se mudificando com os tempo e nos anos 70 as coisas eram bem diferentes que em 1933. Os tempos eram outros e não era bem " certas coisas..mesmo as próprias pessoas comentavam e criticavam. Quanto aos isqueiros é verdade.Mas tb nessa altura ainda não havia os tão usuais isqueiros que se compram agora nas tabacarias ,cafés em qq lado ,que acabam e se deitam fora.
ResponderEliminarNão li o livro que leste mas por vezes tb se exagera.... a série da tv "Conta-me como foi" faz várias referências à época e essa sim está 100% real e verdadeira. Se poderes vê.