terça-feira, 27 de outubro de 2009

Não sei, ama, onde era

Não sei, ama, onde era,
Nunca o saberei...
Sei que era Primavera
E o jardim do rei...
(Filha, quem o soubera!...).


Que azul tão azul tinha
Ali o azul do céu!
Se eu não era a rainha,
Porque era tudo meu?
(Filha, quem o adivinha?).


E o jardim tinha flores
De que não me sei lembrar...
Flores de tantas cores...
Penso e fico a chorar...
(Filha, os sonhos são dores...).


Qualquer dia viria
Qualquer coisa a fazer
Toda aquela alegria
Mais alegria nascer
(Filha, o resto é morrer...).


Conta-me contos, ama...
Todos os contos são
Esse dia, e jardim e a dama
Que eu fui nessa solidão...



É suposto concentrar-me em Fernando Pessoa, portanto aqui está o poema que, até agora, mais gostei. Lembro-me de já o ter ouvido antes à muito tempo atrás, não sei bem quando. Nostalgia da infância? Talvez :p

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