Hoje fui mandar revelar as fotografias do Caminho e, para minha grande surpresa, disseram-me que só estariam prontas na próxima quarta-feira. O que 1. me fez ir ao NorteShopping só para as por lá 2. me fez não as ter já e queria mesmo vê-las.
Há uma semana atrás chegámos a Santiago. Como é indescritível e denso chegar a Santiago. Cair de costas em cima da mochila, sentir a imensidão da catedral, abraçar os nossos companheiros, sem que nenhuma palavra tenha de ser dita para tudo se entender. Como é bom chegar e como custa partir. O coração fica cheio, tão cheio que nasce em mim uma energia inexplicável depois de tanto cansaço físico e psicológico.
Existe, e sempre existirá, o desafio de ser nos corredores, nas salas, na rua, em casa, resumidamente, na vida, o que fomos ao caminhar. Dar um sorriso a quem precisa, um abraço, a mão... o que for preciso. Se para mim é fácil faze-lo no Caminho, na vida ergue-se uma barreira não sei muito bem vinda de onde. São as máscaras, as sunday clothes.
Santiago pode parecer longe, geograficamente é, mas para mim é perto, muito perto. Porque o vejo em ti, companheiro de passos, de cansaço, de calor, de dores, de bolhas, de massagens terapéuticas, de albergues ou ginásios, de desconforto, de lágrimas, de desânimo, tantas vezes. Companheiro também de alegria, de canções, de sorrisos, de mãos dadas, de abraços, de palavras sussuradas, de Caminho. E por isso, e tanto mais, se me acompanhaste neste Caminho e em todos aqueles que não acabam em Santiago, que ainda decorrem, te tenho a dizer obrigado!
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