sexta-feira, 18 de junho de 2010

Ser

Parece que só quando não estamos é que verdadeiramente somos.
José Saramago
Que a sua obra não seja esquecida.
Que nunca deixe de ser.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

I'm still alive


Hoje acordei e pensei: Eh lá, não falta muito!

ALIVE!, como eu te quero...!


Alive, Pearl Jam

quarta-feira, 16 de junho de 2010


Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?

Álvaro de Campos

Menos um...


Ufa!
Um já foi e, mais importante do que isso, foi muito bem! Escusava de ter ligado o complicador numa escolha múltipla tão fácil, mas pronto... é mesmo à Filipa Redondo.

Agora, o temível exame de História. Só queria metade da calma que tive hoje para segunda-feira, por favor...

terça-feira, 15 de junho de 2010

O povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem, Portugueses, só vos faltam as qualidades"

José Almada Negreiros
Ultimatum futurista às gerações portuguesas do século XX
1917
____________________________________
Valete, Fratres!
Nós conseguimos, é fácil :)...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Estrelas no céu




Numa certa noite, cheguei a casa e não me quis encerrar logo dentro das suas quatro paredes. A temperatura estava agradável e a cabeça demasiado cheia para se conseguir embalar num doce son(h)o. Portanto, não entrei.
Em vez disso, deitei-me na minha rampa, a olhar o céu. Não estava muito estrelado. Terão também as estrelas direito a descansar de noite? Larguei logo este pensamento inútil, tentando concentrar-me em "coisas importantes", em "decisões importantes". Porém, o pensamento continuava a escorrer para aquela simples questão: Terão as estrelas direito a descansar de noite?
Certamente, não. As estrelas vivem de noite, é durante o dia que não as conseguimos ver. Em vez de seguir à procura de uma explicação científica e simplesmente concreta de porque é que há noites menos estreladas, ri-me com a minha própria conclusão.
Se calhar existem noites menos estreladas porque algumas estrelas foram roubadas ao céu e vagueiam pelos nossos dias, colocando-se ao nosso lado e iluminando o nosso caminho, mesmo quando todas as luzes do mundo se apagam.


Provavelmente o Rui Veloso nunca olhou bem para o lado. Se o tivesse feito, provalvemente tinha visto que as estrelas que faltam no céu estavam na realidade ao lado dele.

Não há estrelas no céu, Rui Veloso


________

Por falar em estrelas, lembrei-me destes excertos de "O Principezinho":

O Principezinho sentou-se numa pedra e levantou os olhos para o céu:
- Se calhar as estrelas só estão iluminadas para que, um dia, cada um de nós possa encontrar
a sua. Olha para o meu planeta. Está mesmo aqui por cima... Mas está tão longe!...
- Onde estão os homens? – acabou finalmente por perguntar o Principezinho. No deserto
está-se um bocado sozinho...
- Também se está sozinho ao pé dos homens – disse a serpente.


- As estrelas são bonitas por causa de uma flor que não se vê...
- Pois não...
- O que é importante não se vê...
- É como com a flor. Quando se ama uma flor que está plantada numa estrela, é bom olhar
para o céu, à noite. É que todas as estrelas ficam floridas...



(Um dia vamos ver as estrelas e, certamente, faltará uma no céu. Vou sentir o seu brilho a ofuscar mesmo ali ao lado)

Comboios a vapor




Hoje apetecia-me sentar-me num campo perdido do resto do mundo, à beira de uma linha ferroviária, e esperar que passasse um comboio a vapor.
Ia sentir o vento na cara, enquanto este me embalava os caracóis, e desaparecer por instantes no vapor que o movia. Naqueles segundos, seria de ninguém e de nenhuma parte e o abraço do vapor bastar-me-ia para me sentir pessoa.

Porém, já não existem comboios a vapor a circular regularmente. A primeira viagem foi feita a 21 de Fevereiro de 1804 e no final de 1990 somente nas áreas montanhosas o vapor era preferido ao diesel.
Podemos pensar na poluição, na velocidade, no progresso, etc., etc., todavia, hoje não me apetece pensar, apetecia-me sentir o vapor no cabelo e esquecer, por momentos, que a vida é penosamente consciente e com escolhas a cada esquina. Hoje apetecia-me que ainda existissem comboios a vapor nos nossos dias.

(acho que ando a ler Fernando Pessoa a mais...)