quinta-feira, 29 de outubro de 2009


Hoje foi um óptimo dia. É o dia do Rui. Fizemos-lhe um almoço surpresa, do qual ele desconfiou logo. Decoramos a cave, encomendámos pizza, cantámos os parabéns com um bolo todo janota e ficamos a tarde toda a fazer nada e muita coisa.


Parabéns, Ruizinho! Subitamente fiquei sem saber o que dizer, sabes porquê? Porque me lembrei de um remota mensagem "a nossa amizade não é uma amizade qualquer e vai durar". Nada que poderia dizer seria melhor que essa simples frase.
Gosto mesmo de ti, Rui. Obrigada por fazeres parte da minha vida e parabéns, muitos parabéns, não só pelos anos, mas pela pessoa que és, pelo amigo que és. Adoro-te, sabias? :)
O dia não foi só bom pela fantástica tarde. A boa notícia que a Geni me deu também contribuiu, muito. Quero muito caminhar contigo, irmã de coração.
Tive hoje finalmente algumas fotos do Caminho de Fevereiro. Que bom recordar! Parece que foi há mais tempo do que na realidade. Tanta coisa mudou... é interessante reflectir sobre isso.
Além disso, tive o último teste desta primeira fase! Vamos lá ver se o balanço vai ser positivo.
Digo, mais uma vez, é disto que se fazem os dias.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Não sei, ama, onde era

Não sei, ama, onde era,
Nunca o saberei...
Sei que era Primavera
E o jardim do rei...
(Filha, quem o soubera!...).


Que azul tão azul tinha
Ali o azul do céu!
Se eu não era a rainha,
Porque era tudo meu?
(Filha, quem o adivinha?).


E o jardim tinha flores
De que não me sei lembrar...
Flores de tantas cores...
Penso e fico a chorar...
(Filha, os sonhos são dores...).


Qualquer dia viria
Qualquer coisa a fazer
Toda aquela alegria
Mais alegria nascer
(Filha, o resto é morrer...).


Conta-me contos, ama...
Todos os contos são
Esse dia, e jardim e a dama
Que eu fui nessa solidão...



É suposto concentrar-me em Fernando Pessoa, portanto aqui está o poema que, até agora, mais gostei. Lembro-me de já o ter ouvido antes à muito tempo atrás, não sei bem quando. Nostalgia da infância? Talvez :p

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Lots of things


Hoje lembrei-me dos Free Hugs. A ideia, logo que me foi apresentada, pareceu-me tão pura e essencial que me fascinou de imediato. Nunca tinha imaginado possível existir alguém que fosse para a rua com um cartaz a dizer "FREE HUGS" num Mundo onde não existem almoços grátis. Não é fantástico?
Não me perguntem porquê é que me lembrei disto hoje, porque sinceramente não sei. Acho que simplesmente dei de caras, novamente, com este vídeo e viagei, durante 3:39 agradáveis minutos às aulas de moral do 10ºano, na sala multimédia.Por ligação, lembrei-me também do professor Joaquim. Tem sido recorrente, pela falta que faz no clf e, especificamente, a falta que fez no Caminho de Setembro.

Fica aqui o vídeo:




And I'll take you for who you are, if you take me for everything
Parece-me justo

E, já agora, uma fotografia dos Free Hugs em Lisboa, começados pelo Pi e pelo Nuno, com colaboração de Luísa, Luís e minha :)

Free Hug para o Marci (tem vários diariamente :) )

Hoje houve também futebol logo pelas 8:30, teste de Direito às 10:20, entrega a Psicologia no último tempo, resumos de História, um pouco de estudo para Português e Dama e o Vagabundo 2 no resto do tempo, até à hora do Inglês. Acabei o dia com um passeio a ser arrastada pela Benny (ela é que me passeia!!) mais a minha mãe e a Twigui um pouco atrás. Inverti uma grande decisão, esperemos que agora definitivamente, e não espero muito mais deste dia, mas, quem sabe!

E por falar em futebol (hoje também é dia de escrever muito), ontem saí seriamente revoltada do Dragão. Não foi o jogo que me incomodou, porque maus jogos todas as equipas têm, principalmente contra adversários que põem o autocarro à frente da baliza, mas sim pela falta de... eu nem sei de que (!) dos adeptos portistas. Falta de senso comum, pode-se dizer, visto que vão ao estádio, pagam p0r isso, apanham frio com o perigo de ainda chover, não jantam direito por causa da hora do jogo e, depois de todos estes inconvenientes, vão para o estádio chatear! É que não tem outra palavra: chatear! Assobiam logo a equipa nos primeiros minutos quando vêem que não está a arrancar bem, insultam e tentam deitar abaixo jogadores que não estão a conseguir produzir jogo... enfim, parecem da outra equipa! Oh minha gente, assobiar é o adversário, não os nossos miúdos!!! Assobiar é o no fim, como demonstração de desagrado. Nos 90 minutos e na compensação, não esquecer, é apoiar incondicionalmente!

E se ontem alguém mereceu que as minhas mãos ficassem vermelhas foi o grande Mariano. Não gosto da maneira como ele joga, muitas vezes preferia que estivesse no banco, mas quando está lá apoio porque veste a camisola do meu clube, não há dúvidas! Foi indecente a assobiadela que ele levou por ser o Rodriguez a sair. Passados uns minutos, que é que faz? GOLO! Passados outros três? ASSISTÊNCIA! Tomem lá, foi o meu grito.

Não percebo porque é que algumas pessoas se incomodam a ir ao estádio para desmotivar a equipa e fiquei muito desiludida com a massa adepta do FCP. No meio disto tudo, quem apoiou sempre foram as claques. Entre o emproado com cara de quem lhe está sempre a cheirar mal que está ao meu lado, que nunca sorri nem bate palmas, só reclama, e o Macaco, venha o líder dos Super! São isto e aquilo e mais todo o mal que há no Mundo, mas justificam a sua ida ao estádio.

Biba o Porto! E tenho dito.


domingo, 25 de outubro de 2009




Ontem à noite entreti-me a ver A Dama e o Vagabundo, e na sexta vi A Bela e o Monstro.


Os filmes da Disney têm aquela particular característica de me fazerem viajar para a altura em que era criança e os via todos os dias, mais do que um por dia. Lembrar-me do tempo em que tinha tempo para o fazer, pois o Mundo parecia andar mais devagar e não me exigia que corresse atrás dele.


Agora o tempo foge, nunca há tempo para nada, diz-se. E eu concordo, tirando que, para mim, irá sempre existir umas horas deitada no sofá da cave, com uma manta até ao pescoço, o Memé entre os braços e um filme da Disney, cheio de música, cheio de alegria, cheio de lições a aprender, cheio de magia... cheio de mim no meu estado mais natural.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Cântico Negro

Cântico Negro
"Vem por aqui" --- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.---
Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
--- Sei que não vou por aí.
José Régio

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Pequena Zoé

Eu trago-te comigo, e guardo este abraço só para ti

Que mensagem boa, Zuzu :)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Hoje tomei uma decisão que já andava há dias às voltas na minha cabeça. Uma das grandes.

Caminho ou Taizé? Eis a questão. Ou era a questão.

Ao início o dilema nem se punha porque não poderia ficar para o encontro de Taizé, dado que os meus pais vão para o Algarve e, então, não poderia receber ninguém em minha casa. Porém, a situação mudou quando, a semana passada, o professor Zé Rui disse que o acolhimento poderia ser no clf, o que nos veio a confirmar hoje.
Desde que o dúvida se pôs, definitivamente, para mim, reflecti demoradamente sobre ela e cheguei à conclusão que eram as duas experiências únicas e, na minha opinião, incomparáveis. Descartei o argumento de "caminhos há muitos", porque cada caminho é um evento singular e incomensurável. Senti-me atraída por outras razões, tais como poder conviver com pessoas de todo o Mundo, participar num evento que será tão importante para a cidade do Porto e para o colégio em particular, ter a oportunidade de compreender melhor o que é Taizé, que sempre me deixou curiosa, e, sejamos sinceros, a "proposta indecente" do professor. Quando foi confirmado que ficariamos no clf, a decisão saiu facilmente: Professor, eu fico.

Poder ir ter com os meus companheiros a Palas de Rei dia 16 também pesou muito na deliberação. Obviamente não é a mesma coisa fazer o caminho todo ou fazer só a partir de um certo ponto, enquanto o resto do grupo já tem mais etapas feitas. Claro que sentirei a falta de O Cebreiro, de nos reencontrarmos em "O Cebreiro para aquele abraço que precede o frio". Fará um ano desde a primeira e única vez que lá estive e ainda me lembro do frio da pedra, das palavras, do primeiro abraço. Lembro-me de ver a neve, de escorregar na neve! Ainda sinto os primeiros kilometros que fiz no Caminho, de O Cebreio a Triacastela. Fará falta a calma daquele parque infantil à frente do albergue e da oração na pequena capela. Lembro-me e dá-me um certo aperto no coração em saber que não é já daqui a uns meses que lá vou voltar.

Mas novos trilhos se abrem, novos desafios e novas decisões. E sei que, quando chegar a Palas de Rei, sentir-me-ei novamente em casa, da mesma maneira que me senti quando começei em O Cebreiro e, em Setembro, em Sarria, e que não importará o que possa ter "perdido" (porque perder perco o que é meu, não dos outros), mas sim o que irei encontrar de novo nas etapas de sempre.

Entretanto, até Fevereiro, há-que viver, e viver com gosto. Já se foi o tempo em que esperava pelo futuro para me dar os sorrisos que precisava no presente.



Sempre presente (Sintra)