Caminho ou Taizé? Eis a questão. Ou era a questão.
Ao início o dilema nem se punha porque não poderia ficar para o encontro de Taizé, dado que os meus pais vão para o Algarve e, então, não poderia receber ninguém em minha casa. Porém, a situação mudou quando, a semana passada, o professor Zé Rui disse que o acolhimento poderia ser no clf, o que nos veio a confirmar hoje.
Desde que o dúvida se pôs, definitivamente, para mim, reflecti demoradamente sobre ela e cheguei à conclusão que eram as duas experiências únicas e, na minha opinião, incomparáveis. Descartei o argumento de "caminhos há muitos", porque cada caminho é um evento singular e incomensurável. Senti-me atraída por outras razões, tais como poder conviver com pessoas de todo o Mundo, participar num evento que será tão importante para a cidade do Porto e para o colégio em particular, ter a oportunidade de compreender melhor o que é Taizé, que sempre me deixou curiosa, e, sejamos sinceros, a "proposta indecente" do professor. Quando foi confirmado que ficariamos no clf, a decisão saiu facilmente: Professor, eu fico.
Poder ir ter com os meus companheiros a Palas de Rei dia 16 também pesou muito na deliberação. Obviamente não é a mesma coisa fazer o caminho todo ou fazer só a partir de um certo ponto, enquanto o resto do grupo já tem mais etapas feitas. Claro que sentirei a falta de O Cebreiro, de nos reencontrarmos em "O Cebreiro para aquele abraço que precede o frio". Fará um ano desde a primeira e única vez que lá estive e ainda me lembro do frio da pedra, das palavras, do primeiro abraço. Lembro-me de ver a neve, de escorregar na neve! Ainda sinto os primeiros kilometros que fiz no Caminho, de O Cebreio a Triacastela. Fará falta a calma daquele parque infantil à frente do albergue e da oração na pequena capela. Lembro-me e dá-me um certo aperto no coração em saber que não é já daqui a uns meses que lá vou voltar.
Mas novos trilhos se abrem, novos desafios e novas decisões. E sei que, quando chegar a Palas de Rei, sentir-me-ei novamente em casa, da mesma maneira que me senti quando começei em O Cebreiro e, em Setembro, em Sarria, e que não importará o que possa ter "perdido" (porque perder perco o que é meu, não dos outros), mas sim o que irei encontrar de novo nas etapas de sempre.
Entretanto, até Fevereiro, há-que viver, e viver com gosto. Já se foi o tempo em que esperava pelo futuro para me dar os sorrisos que precisava no presente.

Sempre presente (Sintra)
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