terça-feira, 24 de novembro de 2009

Quase

Hoje, ao almoço, partilhei com alguns dos meus amigos qual era o meu maior medo. A Mónica ficou muito espantada com o que revelei e eu ainda mais com o espanto dela. Terei um medo assim tão peculiar?


Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão ...Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo...e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas nunca mais fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
--------------------------------------------------------
--------------------------------------------------------
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...


Mário Sá Carneiro

O meu maior medo é, algum dia, sentir este poema como meu e perceber o quanto falhei. Por isso, evito as falhas de todos os dias, de um modo que às vezes me esmaga e retrai. Mas que se há-de fazer? Os medos são assim, irracionais...

sábado, 21 de novembro de 2009

Círculo de fogo

Ontem, eu, o Nuno e o Luís Pedro fomos ver o espectáculo do Círculo de Fogo, a convite da Maria.
“O círculo de fogo é um grupo de alunos que desenvolve actividades com fogo de risco controlado”, segundo a definição que a Mia me deu. Mas, depois do que vi, é uma descrição que fica aquém do real. Tal como qualquer uma que pudesse dar.
Por momentos, tudo parou. Não interessava que estivesse frio, que estivesse sentada no chão do recreio da Soares ou que estivesse rodeada de pessoas tão diferentes de mim. Por momentos, só conseguia ter os olhos no fogo. O fogo nos arcos, a rodar, a consumir o ar em seu redor. O fogo ali tão perto, perigoso e apaixonante. A música, a lembrar a que se ouve nas feiras medievais, a desconstruir o tempo. Não existia tempo, não existia mais nada, além daquelas raparigas e rapazes a brincar com o fogo, a manejá-lo sem medo, com amor até.
E quando ela entrou, o meu peito encheu-se de orgulho. A Maria é mesmo um mundo. É o “outro lado”. Sempre foi.
Seguiram-se danças e moches, aglomerados de pessoas a darem a mão e a rodopiar juntas, a saltar, rir, cantar… Cheirou a liberdade. Eu não era da escola, mas que importava? Se estivesse no mesmo espírito para me divertir, seja bem-vinda!
Aqui ficam algumas fotos desta noite para recordar



quarta-feira, 18 de novembro de 2009

She's only happy in the sun


But if the sun sets you free
You'll be free indeed
She's only happy in the sun
(Ben Harper)
Que o Sol continue a iluminar o meu dia logo às 8h da manhã, quando abro a janela e vejo os seus raios trespassar as árvores. Que continue a iluminar "a folha", aquela com várias frases que considero as da minha vida, que serviu de capa do portfólio de português o ano passado, e o passpartout que a Babi me deu, com aquela fotografia onde estou com um sorriso do tamanho do Mundo e dela só se vêem os olhos azuis, de que tanto gosto.
Porque começar o dia assim faz-me sentir animada, livre e em paz. E dura, dura, dura...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Uma poça (de água)

Já pensaste no sentido metafórico que pode ter uma poça de água?

Uma poça de água são restos, é o que sobra depois de um dia de chuva. Passam as nuvens, o vento assolador, as pingas que escorram da face e se juntam ao pequeno rio que corre debaixo dos nossos pés. Porém, permanece aquela teimosa porção de ontem, como se o que passou sentisse a categórica vontade de se afirmar no presente.
Uma poça de água é inevitável. Sabemos que vai sempre existir, nem que o dia seguinte seja reino do mais abrasador Sol. Os restos são inevitáveis.
O nosso passado no meu presente é uma poça do que já não me prende, mas permanece para lembrar os dias cinzentos que se seguem, inevitavelmente, aos soalheiros.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Loucura

O Mundo é louco

(prof. Clara Falcão)


Parece cliché, mas nunca é demais dizer. O Mundo é louco, e não é de agora. Entretanto, vamos enlouquecendo com ele.

Por falar em loucura:

Dá para dar umas gargalhadas em dia de chuva (constante).

domingo, 15 de novembro de 2009

Benny

Tem energia até dizer chega. Só faz asneiras. Roí as coisas que mais gosto. Rouba-me os peluches e os chinelos para chamar a atenção. É mimada e invejosa, não nos pode ver fazer uma festa à Twigui. Acorda-me às 10h da manhã aos Domingos. Não me deixa estar em paz na cave a ver um filme ou a correr na passadeira (tem a mania de tentar subir para lá e ladrar). Não obedece às ordens de ninguém (só as vezes às do meu pai). É muito medricas. É capaz de levar qualquer um ao limite da paciência. É um pequeno (grande) monstrinho. Mas é quem me faz companhia enquanto estudo. É quem vê tV comigo, enroscada no sofá, a aquecer-me. É quem se atira para cima de mim quando chego a casa, como se não me visse há anos. É com quem não me inibo de ser o mais carinhosa que consigo. É quem eu adoro ver dormir, porque se assemelha a um autêntico peluche. É a minha Benny. Para ela, tenho um amor único e especial. Costumamos chamar-lhe Benny-ly, não sei porquê. Mas o LY adequa-se na perfeição.

Não sabemos bem em que data nasceu, porque o sítio onde a comprámos não foi propriamente uma bela loja de animais. Encontrámo-la numa daquelas lojas à subida para a serra da estrela, numa pequena jaula cá fora. O dono da loja contou-nos que alguém tinha morto a mãe e, sendo assim, as crias não tinham como ser amamentadas. Comiam as sobras. Ainda não sei como é que consegui convencer os meus pais a traze-la. Era uma bolinha de pêlo, super magra, e já nessa altura não parava quieta. Trouxemo-la em Dezembro, perto do Natal, e nessa altura disseram-nos que tinha um mês, mês e meio.
Por isso, é por volta destes dias que a Benny faz dois anos.
Com todas as suas características irracionais próprias de um cão, a Benny tornou-me mais humana e com um coração mais aberto. E isso não lhe vou conseguir nunca agradecer, nem com as mil festas diárias que recebe.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

"Escola: pendor de jornalismo cívico, fulgor dos direitos humanos















Ontem, às 7h no auditório do Colégio Luso-Francês, realizou-se uma conferência com o mote “Escola: pendor de jornalismo cívico, fulgor dos direitos humanos”. Foram convidados o Dr. Professor Daniel Serrão, médico português e especialista em ética da vida, e André Régio, director do Jornal Veris.
O tema inicial foi a apresentação do Jornal Veris, nome inspirado no padroeiro da freguesia de Paranhos, S. Veríssimo. Porém, e pelas palavras do próprio André Rangel, “esta publicação, embora pertença paroquial, não se delimita e encerra nela, pelo contrário, por força dos seus estatutos e objectivos, define-se e está registada na Entidade Reguladora da Comunicação como um órgão local e regional e, assim sendo, de carácter não exclusivo à temática religiosa.” (in http://www.jfparanhos-porto.org/gca/index.php?id=871 ). Trata-se de um jornal mensal recente, nascido a 24 de Janeiro deste ano, que, ontem à noite, apresentou ao CLF uma proposta de relação e coordenação. Foi oferecido à comunidade educativa um espaço reservado a artigos escritos pelos seus membros. O professor Daniel Serrão iria definir este espaço como “um espaço de futuro”, pelas oportunidades que proporciona. Foram apresentados exemplos como o de Fernando Pessoa e Maria Alberta Menéres.
Por outro lado, o CLF poderá funcionar como centro de divulgação deste jovem jornal, que, como muitos outros, precisa de visibilidade e, acima de tudo, de ser lido.
A intervenção do Professor Daniel Serrão debruçou-se não só no jornal veris, do qual é colaborador, mas simultaneamente na incontestável importância da leitura no nosso crescimento pessoal, intelectual e profissional. Como o Professor afirmou, “Quem não lê não vive fora de si”, pois falha a oportunidade de “construir um mundo através da leitura”, onde se encontram, invariavelmente, “representações da vida” e se alargam horizontes e conhecimentos.
De seguida, o rumo voltou-se para a temática dos Direitos Humanos. André Rangel apresentou a Amnistia Internacional, organização presente em Portugal. A Amnistia Internacional em Portugal tem como objectivo ser um modelo na promoção e defesa dos direitos humanos”, através da “investigação e acção destinadas à prevenção e combate dos graves abusos à integridade física e mental, à liberdade de consciência e de expressão, sobre o direito à não discriminação, no contexto de uma promoção de todos os Direitos Humanos, de forma eficiente, fiável e influente” (in http://www.amnistia-internacional.pt/ ). Fomos informados de um novo núcleo em Paranhos, cuja coordenação é da responsabilidade de André Rangel. O núcleo encontra-se em parceria com o Jornal Veris, através de uma secção dedicada aos Direitos Humanos. A apresentação será neste Sábado, dia 14, às 19h, no auditório da Junta de Freguesia de Paranhos. Os núcleos têm como missão interagir com a comunidade que os rodeia, promovendo sessões de esclarecimento, debates, apresentações, conferências, etc. Para ficarem mais esclarecidos sobre a sua acção, visitem http://aiporto.blogspot.com/.
Na sua segunda e última participação na conferência, o Professor Daniel Serrão dedicou-se à explicação da acção do Conselho da Europa, estrutura demarcada da União Europeia. Foi criado a 5 de Maio de 1949, pelo Tratado de Londres, assinado por dez Estados: Bélgica, Dinamarca, França, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Reino Unido e Suécia. É constituído por 47 países, tendo Portugal aderido a 22 de Setembro de 1976. Um dos seus principais fins é “defender os direitos do homem e a democracia parlamentar, e assegurar a preeminência do direito” (in http://www.coe.int/t/pt/com/about_coe/ ), e por isso a relação com o tema que estava a ser abordado na conferência. Todavia, enquanto a Declaração Universal dos Direitos dos Homens é “uma declaração de intenções”, como a define o Professor Daniel Serrão, sem “valor jurídico”, o Conselho da Europa distingue-se pela defesa de direitos objectivos e concretos, possuindo meios de coerção para punir aqueles que atentem contra estes. Para tal, conta com o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, ao qual qualquer cidadão dos estados-membros pode apresentar queixa se considerar que sofreu ou testemunhou a violação de algum dos Direitos do Humanos.


Considero ter sido uma conferência interessante e rica em novos conhecimentos, apresentados de modo claro e cativante. Desejo um futuro próspero ao jornal Veris, com a esperança que o CLF possa fazer parte integrante deste.