segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Justiça como profissão ou ilusão?

Jústiça, Marília Chartune

Chegados ao 12ºano, é altura, em última instância, de pensar o que queremos seguir na Faculdade. Aliás, primeiro teremos de pensar se queremos ir para o ensino superior, uma questão que é sempre importante por a nós próprios.


Na segunda, não há dúvidas: claro que quero ir para a Faculdade. Antes de mais por achar que ainda não estou preparada para entrar no mundo do trabalho e depois porque gosto de estudar. É verdade, apesar de muitas vezes amaldiçoar os livros e sonhar com férias, a verdade é que aprender é uma sede que nunca consigo saciar, para o bem e para o mal.


Ultrapassada essa primeira etapa de decisão do meu futuro, foco-me no curso a seguir. Caramba, há tantos! Eu não sei exactamente como era há uns anos atrás, mas a sensação que tenho é que os cursos proliferam e os empregos mingam, o que me parece contraditório.

Já tive a certeza de que profissão queria para mim. A partir dos 12 anos, penso eu, já me podiam ouvir dizer que queria ser advogada. Porque trabalham na Justiça, porque dizem que tenho capacidade argumentativa, porque são cultos, porque... porque...

Os meus pais ficaram imensamente aliviados, tendo em conta que antes queria ser professora de Educação Física ou Treinadora de Futebol. Se há quem sonhe em ser cabeleireira, eu fazia juz à minha personalidade maria-rapaz.

Porém, eu cresci, e a ideia cresceu comigo. O facto de crescer fez-me olhar mais à volta, aperceber-me que havia muitas mais opções que encaixavam em mim e que o mundo da advocacia às vezes tem muito pouco haver com justiça.

Mesmo assim, é a profissão que mais me atraí e se, por um lado, sei que me irei desiludir quando a vir por dentro, por outro, também sei que sou capaz de mudar alguma coisa. Sou capaz de mudar a vida de alguém. Sou capaz de ser justa.

O meu pai diz que tenho um grande sentido de justiça. Gosto de acreditar que sim e, ainda mais, gosto que ele ache isso.

Claro que há inconvenientes, como o curso não me parecer o mais aliciante de todos, ou o meu temperamento tempestivo quando ponho o coração numa causa. Não é assim tão bom como pode parecer, porque isso muitas vezes traduz-se em raiva/frustração, que é a única coisa que, inevitavelmente, me faz chorar rios de lágrimas. Só a imagem de mim, num tribunal, a defender um cliente e a sentir-me indignada a tal ponto com as alegações do outro advogado que desate a chorar dá-me, ao mesmo tempo, um nó na barriga e a visualização de uma situação bastante cómica.


Tento pensar que, se vir que aquilo não é mesmo para mim, sempre posso recuar e pensar noutra coisa. Todavia, esse é um percalço que ninguém deseja ter. Ocorre-me uma frase que há tempos li sobre o meu signo: "De ideias fixas... até as mudar". Pode parecer idiota, mas é mesmo assim. Eu tenho ideias, objectivos e caminhos indiscutíveis, até ao dia...


Entretanto, penso no que dizem sobre a Justiça: que é complexa. Eu tento simplificá-la, mas todos sabemos que nem Kant deveria conseguir seguir a sua rígida doutrina moral.

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