Neste quarto não mora a morte, mas sim a eternidade
Não sei quanto mais tempo irei conseguir continuar a recordar. Um dia, os teus pormenores irão fugir-me como tu, lentamente. A tua casa já não será mais um pequeno palácio meu, cheio de ti e cheio das histórias que me contaste e daquelas que ficaram por contar.
Não sei quanto tempo isso demorará a acontecer, nem sei se, um dia, esta data me irá passar despercebida. Aí saberei a exacta crueldade do tempo.
Até lá, sorrio por saber ainda o teu cheiro, as tuas palavras para cada situação, o som do teu sino a badalar no Natal, os jogos que fazias comigo.
Sorrio ainda mais por saber que há uma coisa que nunca me irei esquecer: o dia em que atribuiu o calor de um raio de Sol a bater-me na cara à tua presença e como, a partir daí, a dor da saudade se encheu de luz. O dia em que te tornaste eterno. Posso-me esquecer dos pormenores, mas de ti nunca.
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