
Mulher estranha, quem és tu? O que tens para me contar? Que nome te deram? Que nomes sussurras? Que nomes arrumas? Que histórias contas? Que montanhas moveste? Com que nuvens sonhaste?
Mulher estranha, não me respondes. Dás-me distância, mas consigo ouvir o teu coração bater furiosamente. Pressinto a tua contenção quando desvias os olhos para o chão. Não, não vejo fraqueza nessa fuga. Vejo o medo de te denunciares. O corpo não precisa de palavras. O corpo que não consegues controlar coloca-te em riso permanente de exposição.
Não me responde, e só eu sei o quanto isso é estranho. Tu, adoradora de palavras, manténs-te muda. A tua grande arma torna-se inútil perante a ingente tarefa de remexer no lixo. Os teus olhos balançam quando menciono o lixo. Quase te sinto murmurar que ninguém tem de falar do lixo de ninguém.
Todavia, as dúvidas não são lixo. As dúvidas são caminho para as certeza, se estiveres disposta a desenrolar-te de ti mesma e explorá-las.
Tal como a coragem não existe sem o medo (a grande coragem, pelo menos), também a maior certeza só se alcança depois de se abaterem todas as dúvidas.
Não sabias? Ainda tens muito a aprender.
Baixas a cabeça.
Mulher estranha, não chores. Afinal, ainda és só uma menina. Ainda há tempo. Esboça um sorriso. Ainda há tempo.
Vou morar para tua casa.
ResponderEliminarVou morar para a Maia e levantar-me todos os dias às cinco da manhã para apanhar o metro para o Porto, vou acordar com a tua cadela em cima de mim, e vou pagar 20 euros de táxi para ir para tua casa depois de sair a noite...porque tenho saudades tuas.
beijinhos