sábado, 10 de outubro de 2009

Fazem muito mais que um Sol


Há caminhos que nunca acabam. Há caminhos que se prolongam por toda a nossa vida porque o que realmente é alcançável não é o seu final, mas os frutos que vamos recolhendo durante o percurso. Há alturas no caminho em que aprendemos, outras em que ensinamos. Umas em que recolhemos flores e as vemos murchar nas nossas mãos, outras em que plantamos sementes à medida que os nossos pés tocam o chão. Há momentos em que tudo faz sentido e a força esbanja. O sorriso é fácil, o passo dançante e alegre. Porém, há momentos em que chove e somos obrigados a olhar para o chão e tudo parece muito mais pesado e cansativo. E nesses momentos iremos pensar que não somos capazes e que mais vale parar, parar o caminho, não para o retomar uns minutos depois, parar para desistir. Mas aí aparece alguém que nos mostra o bom da chuva, que estende a mão e nos ergue a cabeça. Alguém que nos faz aprender a gostar da chuva.


Um mês depois da chegada a Santiago relembro, como em tantos outros dias, o caminho que fizemos, os passos que demos, as flores que vimos murchar e as que semeamos, as dores, os sorrisos, os abraços, a força, a que faltava e a que esbanjava... mas, principalmente, a chuva. É que é capaz de chover torrencialmente sem uma gota cair do céu, sabiam? Relembrar a chuva, relembrar quem a atravessou connosco, relembrar quem nos devolveu o sol.


Relembrar que nada acabou no Obradoiro, tudo começou. Desde a primeira vez que ouvi a palavra Obradoiro, a primeira vez que realmente a ouvi (triacastela, debaixo de uma mesa numa sala com mais pessoas do que era suposto aguentar, como sempre), associei a "Obra de oiro". A associação tomou pleno sentido quando caí pela primeira vez nela.
Tentei e voltei a tentar por aqui a "Canção Simples" do Tiago Bettencourt mas, não sei porquê, não dava para copiar direito o código. Portanto fica o link http://www.youtube.com/watch?v=LjyWuef52D8 e o pedido para a irem ouvir e prestarem atenção há letra.
Vem
quebrar o medo Vem
sentir se há depois
E sentir que somos dois
Mas que juntos somos mais
(sentir que somos 90, mas que juntos somos mais)

2 comentários:

  1. 'Umas em que recolhemos flores e as vemos murchar nas nossas mãos, outras em que plantamos sementes à medida que os nossos pés tocam o chão.'

    Procurei-te como agulha nessa. E encontrei-te por lá.

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  2. "Eu vou guardar cada lugar teu
    ancorado em cada lugar meu
    e hoje apenas isso me faz acreditar
    que eu vou chegar contigo
    onde só chega quem não tem medo de naufragar"

    Não tens noção como gostei da surpresa, minha querida.

    és um dos meus sóis.

    um abraço dos nossos :)

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