Nos finais do século XVIII, a Califórnia ainda pertencia ao Império Espanhol. Sob os céus azuis e tranquilos deste lindo país, as pessoas viviam permanentemente aterrorizadas pelo exército. A cada dia que passava, o medo e a revolta que sentiam aumentava, mas não tinha a força necessária para lutar contra a crueldade e injustiça dos soldados espanhóis. Parecia-lhes que o reino de terror não teria fim. A esperança estava quase perdida e os antigos tempos de felicidade pareciam um sonho há muito esquecido. Mas não era um sonho! Do outro lado do oceano, regressava um herói para salvar o seu povo da tirania e injustiça. Um homem suficientemente corajoso para se debater pela liberdade. Um homem chamado ZORRO!
Acima, alguns dos momentos destas últimas três semanas em terras algarvias. Lagos tem vindo a melhorar de ano para ano.
Mesmo assim, não consigo deixar de querer o Porto com todas as minhas forças. Para mim, o cordão umbilical entre mim e ele nunca foi cortado e não existem vivências em cidades ou países diferentes que o façam quebrar.
Estou de volta à realidade, portanto. Tentava explicar à Orquídea o significado do regresso a casa, há duas noites atrás, mas em vão. Na altura não consegui arranjar as palavras certas.
Não sei se agora conseguirei. Digo que voltei à realidade porque estar em Lagos é estar alheia a tudo. Praia, piscina, tardes, saídas, novas pessoas... é um cheirinho do que o Algarve pode oferecer.
É sempre importante sair por um bocado. Ficar alheia faz bem à saúde mental. A companhia preciosa da Orquídea também.
Entrei no meu quarto e a minha parede das recordações abraçou-me. Nos dois segundos que demorei a vê-la toda, regressei ao meu lugar, ao Mundo que crio há 18 anos. Nesse momento, senti que aqui em meu redor tenho (quase) tudo o que me define. Objectivamente, não podia haver retrato melhor.
Agora, uns dias no Porto a matar saudades e depois partir para o Caminho. Reconforta-me tanto saber que tenho essa etapa antes do grande passo deste ano: faculdade.
Posso já dizer, oficialmente, que estou na Católica do Porto de Direito. Por agora não quero pensar nisso.