
Há caminhos que nunca acabam. Há caminhos que se prolongam por toda a nossa vida porque o que realmente é alcançável não é o seu final, mas os frutos que vamos recolhendo durante o percurso. Há alturas no caminho em que aprendemos, outras em que ensinamos. Umas em que recolhemos flores e as vemos murchar nas nossas mãos, outras em que plantamos sementes à medida que os nossos pés tocam o chão. Há momentos em que tudo faz sentido e a força esbanja. O sorriso é fácil, o passo dançante e alegre. Porém, há momentos em que chove e somos obrigados a olhar para o chão e tudo parece muito mais pesado e cansativo. E nesses momentos iremos pensar que não somos capazes e que mais vale parar, parar o caminho, não para o retomar uns minutos depois, parar para desistir. Mas aí aparece alguém que nos mostra o bom da chuva, que estende a mão e nos ergue a cabeça. Alguém que nos faz aprender a gostar da chuva.
Um mês depois da chegada a Santiago relembro, como em tantos outros dias, o caminho que fizemos, os passos que demos, as flores que vimos murchar e as que semeamos, as dores, os sorrisos, os abraços, a força, a que faltava e a que esbanjava... mas, principalmente, a chuva. É que é capaz de chover torrencialmente sem uma gota cair do céu, sabiam? Relembrar a chuva, relembrar quem a atravessou connosco, relembrar quem nos devolveu o sol.
Relembrar que nada acabou no Obradoiro, tudo começou. Desde a primeira vez que ouvi a palavra Obradoiro, a primeira vez que realmente a ouvi (triacastela, debaixo de uma mesa numa sala com mais pessoas do que era suposto aguentar, como sempre), associei a "Obra de oiro". A associação tomou pleno sentido quando caí pela primeira vez nela.
Tentei e voltei a tentar por aqui a "Canção Simples" do Tiago Bettencourt mas, não sei porquê, não dava para copiar direito o código. Portanto fica o link http://www.youtube.com/watch?v=LjyWuef52D8 e o pedido para a irem ouvir e prestarem atenção há letra.
Vem
quebrar o medo Vem
sentir se há depois
E sentir que somos dois
Mas que juntos somos mais
(sentir que somos 90, mas que juntos somos mais)